ÊXODO – Página 8

página de quadrinhosPadre Paulo, um jesuíta com seus segredos.

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ÊXODO – Página 7

Página de quadrinhos

Os guaranis deslocam-se para um lugar seguro.

Os bandeirantes

Bandeirantes

Considerados como heróis, principalmente no estado de São Paulo, os bandeirantes representaram o principal flagelo para os povos indígenas. Desbravando o interior do Brasil atrás de escravos, eles mataram, estupraram, roubaram, incendiaram aldeias e voltavam para São Paulo com seus espólios. Foram eles que destruíram a redução de Guaíra e outras. Foram escolhidos como os inimigos de Eva na nossa série. Leia a página 4 aqui.

Cachimbo guarani

petyngua

O petyngua, o cachimbo guarani, é um artefato de uso místico, ritualístico, mas também usado em momento de lazer. Alguns petynguas são produzidos para serem comercializados, mas outros não, os que são usados exclusivamente nos rituais. Aqui na série, Eva usa seu petyngua para verificar o significado do sonho que ela teve. Não necessariamente o uso do instrumento é esse, na realidade. Leia a página aqui.

Geografia Indígena.

Por Rafael

geografia indígena

Fonte: Os Guarani Mbyá, de Vherá Poty e Danilo Christidis.

Você já reparou no mapa político da América do Sul? É só um mapa, não é mesmo? Nele, temos as linhas de fronteira entre cada país. Por exemplo, no sul do Brasil, temos uma junção de fronteiras entre três países, Paraguai, Argentina e Brasil. Nada de mais, existem outras fronteiras tríplices pelo continente.

Alguns podem dizer que o mapa apenas representa o espaço onde vivemos, por onde nos deslocamos fisicamente, apresentando as distâncias entre um ponto e outro. Para muitos, o espaço é só isso, a superfície sobre a qual nos movemos. E, se queremos melhor nos mover, podemos ter o auxílio do mapa.

O que muitos não sabem é que as linhas de fronteira que vemos em nossos mapas, foram riscadas sobre outras fronteiras, como mundos sobrepostos. Existe um outro povo, um outro mundo, uma outra cultura que, através do nosso espaço representado nos nossos mapas, enxerga outro espaço, outras fronteiras, que pertencem ao seu espaço próprio, soterrado pelo nosso, espaço branco ocidental, capitalista.

O povo mbyáguarani, uma ramo da grande nação guarani, habita, há cerca de 2000 anos, uma área que abrange o centro-sul do atual Paraguai, mais o nordeste da Argentina e o sul do Brasil. Coincidindo, aproximadamente, com a área do chamado Aquífero Guarani. Motivo pelo qual esse grande reservatório de água subterrânea ganhou esse nome.

Apesar de seu território inteiro ter sido ocupado por outra civilização, num processo de 500 anos, e muito do seu modo de vida ter sofrido alterações, os mbyá mantêm viva sua cultura e seus mitos. Muitos desses mitos, tratam do espaço onde vivem. Espaço físico, mas também espaço de identificação cultural.

Podemos dizer que os mbyá dividem seu mundo em quatro grandes unidades, divididas de acordo com sua cosmovisão. Segundo o antropólogo José Otávio Catafesto de Souza, o centro do mundo mbyá se chama Yvy Mbité (terra central), e surgiu quando baixaram as águas do grande dilúvio do início do mundo. Correspondendo ao território da atual República do Paraguai.

Deslocando-se para o leste, acompanhando o recuo das águas diluvianas, temos o Pará Miri (água pequena). Uma grande unidade cosmo-geográfica alagada. Por onde correm os rios Paraná e Uruguai, conhecida pelos brancos como mesopotâmia argentina. Corresponde, mais ou menos, ao território da província argentina de Misiones.

Continuando o caminho para leste, adentrando o que hoje seria a área central do território do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, temos o Tape (caminho), uma grande área de circulação, de deslocamentos.

O Tape é o caminho que leva à última unidade mais a leste, o Pará Guaçu (água grande), assim a cosmovisão mbyá se refere ao Oceano Atlântico. Para o Pará Guaçu recuou toda a água do dilúvio primordial. Para o leste, está o Paraíso, a Terra Sem Males ou, como eles dizem, Yvy Marae’y.

Nem toda a opressão que sofreram, nem as centenas de linhas e fronteiras que nossos cartógrafos traçaram sobre o seu mundo, apagou essa geografia mbyá. Uma geografia cósmica,

que vive no imaginário desse povo, em sua cultura, em suas histórias e mitos.

Mesmo a geografia branca aproveitou as denominações topológicas dos mbyá. Nossos mapas estão cheios de nomes guarani. Itapuã, Tapes, Canguçu, Quaraí, Taquari, Caí, Jacuí, Arambaré, Paraguai, Uruguai, Itaqui, Itajaí, Camaquã, Paraná, Sarandi, Sapucaia, Gravataí, são só alguns exemplos.

E então, gostou de saber um pouco mais sobre cultura guarani? Deixe seu comentário e vamos aprimorando nosso conteúdo.

Obrigado!

Fontes:

Os Guarani Mbyá, de Vherá Poty e Danilo Christidis.

Breves Aspectos Socio-ambientais da territorialidade Mbyá-Guarani no Rio Grande do Sul, artigo de autoria de Flávio Schardong Gobbi, Marcela Meneghetti Baptista, Rafaela Biehl Printes e Rodrigo Rasia Cossio. Faz parte da coletânea Coletivos Guarani no Rio Grande do Sul: territorialidade, interetnicidade, sobreposições e direitos específicos.

 

Salto do Yucumã.

Por Rafael.

Neste terceiro episódio de YVY, homenagearemos uma importante paisagem natural do interior do Rio Grande do Sul, salvo engano, destino turístico não muito badalado. Me refiro ao Salto do Yucumã, uma queda d’água localizada no rio Uruguai, a noroeste do estado gaúcho, divisa entre Brasil e Argentina.

salto do yucumã

Salto do Yucumã nos traço de Ricardo Fonseca.

O Salto do Yucumã chama a atenção, não tanto pela sua altura – muito menor que as cataratas do Iguaçu, por exemplo -, mas, sim, pela sua extensão, de mais ou menos 1,8 km. A atração se encontra no Parque Estadual do Turvo, lugar de preservação da antiga paisagem florestal da área, cercado atualmente por campos e campos de soja à perder de vista.

interior do parque do turvoIMG_6783

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Imagens do interior do parque. 

Para visitar o parque e admirar a beleza da queda d’água é recomendável ir num dia de tempo seco, pois, num dia chuvoso, a cheia do rio pode cobrir a queda, que não é muito alta. “Estragando” assim, o passeio. Foi o que aconteceu comigo, mas nada para se lamentar, pois o parque é lindo e conhecer parte da história do Rio Grande do Sul é outro atrativo a mais. Conhece a canção Balseiro do Rio Uruguai? Cantada pelo músico missioneiro Cenair Maicá, o refrão falava de uma história que eu nunca tinha entendido plenamente:

Oba, Viva, veio a enchente

o Uruguai transbordou

vai dar serviço pra gente.

Vou soltar minha barca no rio

vou rever maravilhas que

ninguém descobriu.

Apenas visitando o parque e lendo os banners pude entendê-lo. Ele se refere, lógico, à cheia do rio Uruguai, bem naquele trecho do salto. Com a enchente, o salto é coberto, permitindo a navegação das barcas no rio. No início do século XX, a principal atividade econômica daquela região era a extração da madeira, contribuindo muito para a diminuição que vemos hoje das áreas florestais. A madeira retirada era enviada para os mercados consumidores pelo rio, as próprias toras eram usadas como embarcação. Também era uma época de intercâmbio mais intenso entre os moradores das fronteiras de Brasil e Argentina. Com o esgotamento da atividade, anos depois, veio a soja, mas isso é outra história.

Um pouco do nosso trabalho em YVY também é fazer referência à nossa história e cultura latino-americanas e sul-brasileiras. Esperemos que gostem. Até a próxima!

banner informativo do parque do turvo.