Imagem

Fogueira e Figueira

figueira

Anúncios

Processo de Trabalho

Mais um preview do próximo episódio de YVY! Desenho de Ricardo Fonseca. Roteiro de Rafael Martins da Costaesboço de página de quadrinhos

A Missão: a história por trás da história

capa dvd a missãoA série YVY tem como cenário as missões jesuítico-guarani do século XVIII na América do Sul. Por esse motivo, uma das primeiras referências visuais a ser consultada foi o filme A Missão, de 1986, do diretor Roland Joffé. A obra não serviu como fonte histórica, propriamente dita, ela não é um documental. É mais uma dramatização para representar dramas vividos na época das missões, com locais e personagens fictícios. Porém, o trabalho de produção desenvolvido para levar às telas, de maneira convincente, o espírito da época, foi, no mínimo, extraordinário. Muitos conhecem a história do filme, por isso, gostaria neste artigo, de me concentrar em algo que foi tão impressionante quanto ele, o seu making off.

Existe uma edição especial em DVD desse filme, distribuída pela Versátil Home Vídeo, que vem com um disco extra, nele encontramos este making off  com uma história tão incrível sobre os bastidores da gravação de A Missão que poderia se transformar em mais uma obra.

Roland Joffé, o diretor, sabia que a alma de seu filme seria o povo guarani, que povoava as reduções jesuíticas daquele tempo. Ele não queria, simplesmente, contratar figurantes, pois acreditava que, assim, não faria um filme convincente. Primeiramente, foi feito contato com comunidades guarani na Argentina, mas a impressão que o diretor teve desse encontro não foi das melhores. Eram populações pequenas e espalhadas por diferentes pontos do país, segundo Roland, não demonstravam a altivez e o espírito guerreiro necessário para a realização do filme. Pareciam mais um povo derrotado.

Após algumas viagens e investigações os produtores de A Missão encontraram o que precisavam para levar para a tela do cinema a energia e força do povo guarani missioneiro. Na região do Cauca, no sudoeste da Colômbia, vivendo às margens do rio San Juan, acharam uma comunidade wanana, esta caiu como uma luva para a representação do papel, pois ainda era um povo numeroso e coeso socialmente, fortemente agarrado a sua cultura e, ao mesmo tempo, se relacionando razoavelmente bem – não sem conflitos – , com a sociedade branca. Ou seja, conheciam espanhol, lidavam com tecnologias modernas, etc.  Agora viria a parte difícil. O que aconteceu após este encontro, foi quase uma epopeia.

Quase 600 pessoas, toda a comunidade, foi deslocada de suas moradias para se instalarem, temporariamente, nos locais de filmagem. Foram construídas moradias improvisadas, além de escola e locais de lazer, saúde e refeições. tratava-se de uma mega estrutura. Os wanana se entregaram de corpo e alma ao papel. Sentiam em sua própria carne o que o povo guarani sentiu há mais de 200 anos. No vídeo é possível acompanhar o depoimento de um dos líderes da comunidade e a história que conta sobre o seu povo é idêntica a de todos os povos originários da América. Perseguição, perda de territórios, perda de direitos, mortes, descaso… Os wanana, que possuem comunidades espalhadas na Colômbia e no Brasil, lutam para manter suas terras, sempre em iminente perigo de perdê-las para algum projeto de mineração ou energia.

Outro depoimento interessante é o do responsável pela preparação de atores. Ele conta que chegou a um determinado momento do trabalho de gravação, que os próprios wanana se dirigiam. Conversavam entre si sobre como poderiam conseguir o melhor resultado para alguma cena, ajudavam os atores estrangeiros com o idioma wanana (que no filme seria considerado guarani) e se tonaram, de fato, a alma do filme. Cujo resultado foi o melhor possível: Palma de ouro no Festival de Cannes,  César de melhor filme estrangeiro, dois Globos de Ouro, Oscar de melhor fotografia, entre outros (segundo o Google).

Apesar desse êxito, não foi sem conflito que a relação entre os wanana e a produção do filme se deu. Segundo os produtores, houve um mal-entendido quanto ao tempo de duração do contrato, que os wanana acreditavam ser mais curto do que realmente era.  O vídeo mostra as assembleias em que se reuniam a comunidade e a equipe do filme para discutir essa questão. Salvo algum engano, é possível dizer que as pessoas foram respeitadas e tiveram suas exigências atendidas.

O filme serviu para valorizar o povo wanana e apoiar sua luta por direitos? O diretor poderia ter insistido com as comunidades guarani para fazer o filme? Não saberia responder isso agora. Mas sei que é um filme muito usado para se debater a história das missões jesuíticas e o massacre sofrido pelo povo guarani. Não é um documentário histórico, mas é uma obra que soube, talvez, trazer o espírito da época para as telas.

Eva, a protagonista

EvaQuem acompanha a série YVY já conheceu Eva, a nossa protagonista. Eva é uma moça guarani que cresceu na redução, tendo uma educação cristã, sendo tutelada de perto pelo jesuíta responsável pela missão, o Padre Antônio. Decepcionada pelo envio obrigatório de seu amado para servir à coroa espanhola na guerra, ela deixa a vida na redução e se embrenha na mata para encontrar seu avô, o velho Moreyra, um velho feiticeiro que vive só na floresta.

O visual da personagem tenta representar essa ruptura com o mundo europeu, por isso, ela não usa o tradicional vestido de algodão cru, vestimenta comum nas reduções jesuítico-guaranis. Em lugar disso, ela usa uma saia de couro, também comum, mas que empresta uma aparência menos cristã à personagem. Os demais acessórios, braceletes e joelheiras vêm nesse mesmo intuito, dando um ar mais “capa e espada” à nossa protagonista. Por fim, a vincha usada pelos habitantes dos pampas para amarrar os cabelos ao cavalgar e as botas de garrão de potro nos pés, que, para a nossa Eva, ganharam um desenho diferente.

Vestimenta indígena missioneira.

Vestimenta missioneira                    Fonte: http://www.sohistoria.com.br/ilustrada/ateguaraniticas/p5.ph

Para fazer a conexão com a sua herança guarani, acrescentamos uma pintura no rosto, que, segunda uma amiga antropóloga, é a mesma usada pelas mulheres desse povo. Apesar de sua ruptura com o modo de vida europeu, ela ainda mantém uma ligação com o seu passado na redução. é o semi-crucifixo que ela carrega no pescoço. Acompanhe a série e você descobrirá porque falta um braço à cruz, também descobrirá a origem da espada que ela carrega, a Espada de Iansã.

APP YVY

capa do app yvy

Já havíamos anunciado, no mês passado, o lançamento do app de YVY, facilitando o acompanhamento da série para quem gosta de praticar a leitura em telas de celulares. Hábito cada vez mais comum nessa era tecnológica em que vivemos. A novidade é que, agora,  o app está disponível em mais de uma plataforma. Além do google play, também é possível fazer o download gratuito na loja da Amazon, basta clicar aqui 

O app é gratuito e em língua portuguesa. Não perde.