Sepé Tiaraju

Por Rafael.

sepé tiaraju

Uma das páginas da HQ.

Muitos conhecem a história do cacique guarani Sepé Tiaraju. Aqui no blog ele foi citado em uma postagem. Recentemente, descobri uma publicação da Câmara dos Deputados de Brasília, do ano de 2010, homenageando essa figura que agora se encontra no “Panteão dos Heróis da Pátria”, por iniciativa do então deputado federal, Marco Maia, do PT.

Não sei, exatamente, que “pátria” Sepé teria defendido. Acredito que não uma que escraviza negros e índios. Porém, a publicação comemorativa da ocasião, lançada pela Câmara, é uma História em Quadrinhos de autoria de Luiz Gatto (roteiro) e Plínio Quartim (arte), muito instrutiva e pronta para ser usada em escolas como base para um debate. A história exagera um pouco na questão da harmonia entre jesuítas e guaranis, como se os últimos tivessem aderido “naturalmente” ao cristianismo, mas a obra não perde importância. Pode ser baixada no seguinte link.

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Guarani – um idioma americano

Por Rafael.

Idioma guarani

Pórtico do município de São Miguel das Missões/RS

Infelizmente, através do processo de colonização do continente americano e dizimação de suas culturas originais, não resta muito dos idiomas falados pelas populações que aqui habitavam. Ainda assim, eles resistem. É o caso do Paraguai, onde o guarani é considerado idioma oficial, sendo falado por uma parcela grande da população e usado nos meios de comunicação oficiais e na publicidade e literatura.

Porém não é só no Paraguai que o guarani é usado. No nordeste argentino, sua presença é marcante, assim como, em menor grau, no sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. Aqui, ele é falado pelas populações indígenas mbya, kaiowá e nhandeva. Apesar das diferenças na grafia e em algumas palavras, esse idioma segue vivo, e bem vivo, no nosso continente. No estado do Rio Grande do Sul, temos uma desconhecida proximidade com ele, pois, ainda que não saibamos, são palavras de origem guarani como Gravataí, Caí, Jacuí, Taquari, Ijuí, Sapucaia, Sarandi, Itapuã, entre outras, que marcam a nossa geografia.

É muito conhecido, principalmente entre os músicos gaúchos, a célebre frase atribuída a Sepé Tiarajú: Esta terra tem dono!  O cacique guarani a teria dito, em tom de desafio, aos comandantes dos exércitos espanhóis e portugueses, durante as chamadas guerras guaraníticas. E é na cidade de São Miguel das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul, que encontramos um pórtico com essa frase, no seu idioma original: Co yvy oguereco yara!

Tenho estudado, de maneira autodidática, esse belo idioma e já posso desmembrar as palavras da frase e mostrar seus significados.

Comecemos com o pronome demonstrativo Co, que significa este ou esta. Às vezes, vejo essa palavra grafada com a letra k. Imagino que isso seja comum, pois se trata de um idioma que, originalmente, não tinha sua forma escrita, tendo usado as letras latinas, mais tarde. Portanto, não podemos falar em uma maneira “certa” de escrever.

Depois temos a palavra yvy. Que significa terra ou mundo, mas também pode significar chão ou solo. A letra y em guarani soa como vogal em alguns casos, com um som gutural (som oriundo do interior da garganta). A letra y, sozinha, também significa água ou rio.

A palavra oguereco se trata de um verbo conjugado na terceira pessoa do singular. É o verbo guereco (também já vi a grafia guereko), que significa ter ou possuir. A letra o, no início da palavra, diz respeito à conjugação para a terceira pessoa do singular: ele ou ela (ha’e).

Para concluir, temos a palavra yara. A qual também já vi com outra grafia: jara. Nesse caso, tanto o y, como o j, soam como o j em inglês (algo como “dji”). Essa palavra significa dono, senhor, amo…

Existe um site educativo, com exercícios bem simples, para quem se interessar em aprender guarani por curiosidade (meu caso). Esse site é o duolingo. Aí temos as atividades e, também, espaço para comentários, caso alguém queira acrescentar alguma correção aos exercícios do site. Ah, ele é feito para falantes de espanhol, mas não tem mistério.

Também encontramos inúmeros vídeos no youtube, de professores ensinando o idioma. São todos canais paraguaios, não encontrei nenhum brasileiro, falante de guarani, fazendo o mesmo serviço. O canal que mais gostei é esse:

Obrigado e até a próxima!

 

Tatu-Guaçu

Por Rafael.

Um personagem que me chamou a atenção no poema épico O Uraguai, que tratei em outro post, foi Tatu-Guaçu. Era um cacique guarani que lutou ao lado de Sepé Tiarajú
contra as forças conjuntas de Portugal e Espanha. Basílio da Gama o retrata como um poderoso guerreiro, que usava uma couraça de pele de jacaré nas batalhas.

Não sei se Tatu-Guaçu é um personagem fictício, criado por Basílio da Gama, ou se existiu de fato, não achei menção a ele em nenhum outro livro, ainda que minha pesquisa não tenha sido tão aprofundada.

De qualquer maneira, gostei dele e desenhei minha versão do Tatu-Guaçu para vocês apreciarem. Uma hora, descobrirei mais sobre ele.

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As Missões nos Quadrinhos

O uso de lugares ou momentos históricos como conteúdo de uma obra é algo bem comum. Agora, poderíamos citar as muitas histórias de samurai, no cinema e nos quadrinhos, bem como as de cowboy. Ambas buscando explorar cenários, paisagens ou costumes para dar sabor a uma história.

Em YVY, buscamos nossa inspiração, primeiramente, nos intrigantes cenários das missões jesuíticas brasileiras (ainda existem as do outro lado do rio Uruguai), das quais só restam ruínas, misteriosas ruínas. Como era a vida das pessoas que habitavam esse lugar? Em que acreditavam? O que temiam? Como resolviam seus problemas? Parecem perguntas fáceis de responder para um historiador, mas queremos algo que só a ficção pode trazer.

Diferentemente das histórias que queremos contar em YVY, existem quadrinhos que retratam a história das missões de um ponto de vista mais baseado na pesquisa histórica ou documental, com um trabalho mais apurado nesse sentido. Citaremos dois: Um se chama Sepé Tiarajú – a história das ruínas de São Miguel e o outro é Sepé Tiarajú – a saga de um herói.

O primeiro, baseado no romance de Alcy Cheuiche, com desenho José Carlos Melgar, trata-se de uma ficção histórica, que ainda que seja ficção, possui um fundamentado trabalho de pesquisa e retrata as desventuras de um jesuíta holandês que participa da fundação de São Miguel das Missões e conhece o grande Sepé Tiarajú. Essa obra foi publicada em 1988 e é um pouco difícil de encontrá-la, mas pode-se tentar entrar em contato com a editora Martins Livreiro.

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capa do livro de Cheuiche e Melgar.

A segunda obra, mais recente, de 2016, é de autoria do quadrinista Clayton Cardoso, natural de Santo Ângelo, região missioneira. Aqui também existe um grande esforço de pesquisa para compor os personagens, os cenários e os eventos históricos. Para adquirir a obra basta entrar em contato direto com o autor, que, nessa era digital, não é muito difícil.

Outros trabalhos devem existir, tanto do lado brasileiro quanto do outro lado da fronteira. Diga-se de passagem, fronteiras construídas pelos colonizadores, portanto, nesse sentido, imaginárias. Que se explore mais nossas paisagens e culturas regionais nas construções de mais histórias, dando mais significado para nossas existências.

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capa da obra de Clayton Cardoso.

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