Nheçu: no corredor central (resenha)

Por Rafael.

nheçu

É bem conhecida, entre os habitantes do Rio Grande do Sul, a história do cacique Sepé Tiarajú, que liderou os guaranis na luta contra os impérios espanhol e português para defender os Sete Povos das Missões.

Uma figura menos popular é a do cacique Nheçu. Esse personagem perdido da história do Rio Grande do Sul foi poucas vezes retrato na bibliografia historiográfica ou literária, e quase sempre figurando como vilão. Uma destas raras obras é o livro Nheçu – no corredor central, do escritor Barbosa Lessa, publicado pela Editora do Brasil, em 1999.

Numa linguagem literária, um pouco voltada para o público juvenil, o livro traz o dia-a-dia dos habitantes de uma aldeia guarani próxima ao rio Uruguai, numa área conhecida como colina do Maçambará. Lá pelas tantas, chega na aldeia a notícia de que os “roupas-preta”, como são chamados os jesuítas, estão nas proximidades da aldeia. A notícia foi recebida com apreensão pelo povo. Temerosos, pois já tinham ouvido falar das histórias de escravidão que vinham logo depois da cristianização.

Nheçu foi um cacique que se opôs à influência cristã sobre os seu povo. Talvez por isso seja menos lembrado que Sepé Tiaraju, que era um guarani cristianizado. Em alguns livros, ele é colocado como responsável pela morte dos famosos “três mártires riograndenses”: os padres Roque Gonzales, Afonso Rodríguez e Juan de Castillo. Fundadores da redução de São Nicolau e outras. Mas, a história de Barbosa Lessa, o coloca como alguém que, ao mesmo tempo em que se opunha aos cristãos, respeitava muito a figura dos jesuítas, principalmente a do padre Roque Gonzales. Não tendo sido ele o fomentador da guerra que se travou entre os guaranis não-cristianizados e os outros, ainda que não tenha feito nada para evitá-la.

Com ilustrações de Fernando Merlo, a obra é uma boa referência inicial a esse personagem, contando também como uma forte pesquisa sobre o modo de vida original dos guaranis. Fica a dica.

Rio Ijuí

Por Rafael.

rio ijuí

E vamos para mais um rio guarani. Desta vez, o rio Ijuí, cuja antiga grafia se dava como Yjuhy. Algumas fontes na internet colocam seu significado como “rio das águas claras”, outros como “rio das águas sagradas”. É difícil dizer. No dicionário Guarani-Espanhol, de Natalia Krivoshein de Canese e Feliciano Acosta Alcaraz, encontramos a palavra ju, que pode significar “amarelo”. O que nos reportaria a “rio das águas amarelas”: Y=rio ou água, Ju=amarelo, Y=rio ou água. Mas isso é só especulação. O que importa é que esse majestoso rio, que nasce próximo ao município de Santo Augusto, em meio ao planalto sul-rio grandense, abastece uma população de cerca de 342 mil pessoas antes de atingir sua foz no rio Uruguai, oeste do Rio Grande do Sul.

Foi no vale do rio Ijuí que se levantaram dois dos chamados Sete Povos das Missões. As reduções jesuítico-guaranis do Rio Grande do Sul, São Nicolau e Santo Ângelo. A primeira, fundada pessoalmente pelo famoso padre paraguaio, Roque Gonzales. O “mártir das missões”, morto por guaranis não cristianizados, cujo líder era o cacique Nheçu. Essa história vai render uma postagem específica, estou só juntando material para isso.

Siga acompanhando as histórias dos rios gaúchos no nosso blog. Até a próxima!

Conheça outros rios: Rio Taquari, Rio Caí, Rio Gravataí, Rio Jacuí.