Os Índios de André Toral

André toral

Por Rafael

“Quem gosta de índio, que vá pra Bolívia”! Essa grotesca afirmação, realizada por um deputado estadual do Rio de Janeiro, exemplifica bem a luta dos povos indígenas do Brasil. Uma luta pelo direito à existência. Um direito de se ser o que se é. Pois, nem isso mais é possível de se fazer aqui, é preciso ir para outro lugar. A identidade indígena, segundo pessoas como as que proferiu a frase, não tem espaço neste país, não faz parte do que é ser brasileiro.

Em total desacordo com esse pensamento, está o trabalho do quadrinista brasileiro André Toral. Lançado em 2009, pela editora Conrad, Os Brasileiros traz sete histórias do autor, repletas de tupinambás, tupiniquins, kaiapós e kaingangs, povos apenas “figurantes” na história do Brasil que aprendemos na escola. Porém, no livro de Toral, eles não são mero coadjuvantes, aqui ganham um papel destacado, não como “mocinhos” ou “vilões”, mas como personagens de verdade, importantes, com sentimentos, força, ambições, defeitos, ingenuidade, malícia, enfim. Personagens com substância, como poucas vezes os índios brasileiros são representados.

O livro é uma coletânea de histórias já publicadas em anos anteriores. A primeira publicação do autor foi no ano de 1986, na extinga revista Animal. A História do Brasil é muito presente no universo de André Toral, formado em ciência sociais, com mestrado em antropologia. Mas, apesar de sua formação acadêmica, as histórias de Os Brasileiros não são relatos antropológicos, nem procuram representar um trabalho científico. O autor apenas nos apresenta o indígena como um personagem respeitável. Que bom se nossas muitas identidades brasileiras estivessem sempre presentes nos meios culturais, quem sabe, se isso nos ajudasse a forjar uma outra mentalidade, um outro entendimento do que é ser brasileiro e latino-americano?

Fica aqui o convite para conhecer o autor e ler o livro. Até a próxima!

 

 

 

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M’Boiguaçu – A Lenda da Cobra Grande

Por Rafael

Nos dias 4 e 5 de agosto,  participamos da Comic Con RS, que aconteceu em um prédio da ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) em Canoas/RS. Foi uma grande experiência. Pois, ainda que não tenhamos obtido grande resultado em vendas, pudemos encontrar mais artistas independentes como nós, que passam pelos mesmos problemas e alimentam a mesma vontade de produzir histórias e, quem sabe, até viver disso.

Pessoalmente, vinha acompanhando o trabalho de um artista da cidade de Santo Ângelo/RS e, felizmente, pude encontrá-lo no evento. Aqui, no blog, já havíamos comentado um trabalho dele. Me refiro ao quadrinista Clayton Cardoso, que, em 2016, publicou Sepé Tiaraju – A Saga de um Herói. Agora, em 2018, Clayton levou para a Comic Con RS a história em quadrinhos M’Boiguaçu – A Lenda da Cobra Grande. Mais uma vez, o quadrinista bebe da História e Cultura da sua região, as Missões, para criar uma obra.

M’Boiguaçu é uma lenda da cultura guarani missioneira, pois sua história se passa nas ruínas da missão de São MIguel, pouco depois da guerra guaranítica. O trabalho de pesquisa e imaginação de Clayton se faz notar em diversas cenas, em que vemos o que restou da Igreja de São Miguel tomada pela vegetação, vista de diferentes ângulos. Transportar o leitor para a realidade da história, através dos cenários, não é coisa muito simples, mas o artista dá conta da tarefa. A arte de Clayton é orgânica, cheia de detalhes e texturas e a revista possui um acabamento muito bonito.

Entre em contato com o autor pelo email claydesenhos@hotmail.com  ou ( cel: (55) 9924-4066 (vivo) ou 84141276 (oi). Apoie o quadrinho feito por alguém como você! Até a próxima!    

m'boiguaçu em quadrinhos

Página interna

Capa de M'Boiguaçu

Capa de M’Boiguaçu

Odara e a Espada de Iansã.

OdaraOdara apareceu pela primeira vez na série em um flash back de Eva, no episódio 1, presenteando Eva com a poderosa Espada de Iansã. O que se sabe sobre essa personagem? Até agora, que é de origem yorubá, pela referência à orixá Iansã, e que ela esteve no Quilombo dos Palmares.

Após a formulação da personagem, baseando-me um pouco no filme Quilombo, de Cacá Diegues, e postado o primeiro episódio completo no site, descobri que a maioria dos moradores do Quilombo dos Palmares era de negros de origem bantu, não yorubá. A própria palavra quilombo seria de origem bantu. Fica aqui a referência ao engano histórico na série.

Odara aparecerá novamente? Aguardem.

Investigação Colonial

Dando continuidade às postagens sobre quadrinhos ambientados no Brasil colonial, desta vez, apresentamos a série Causos, de autoria de Eberton Ferreira, autor Gonçalense.

o demonio das matas

A série se passa no primeiro século da colonização portuguesa. Tendo como protagonista o bandeirante chamado Gonçalo, sempre seguido por seu inseparável companheiro, o tupiniquim Iberê. Os dois formam uma dupla de investigadores coloniais, detetives que atuam para solucionar estranhos crimes que começam a assolar a população da colônia portuguesa.

O ponto forte da série, na minha singela opinião, é a forma como o autor mescla, no seu universo, mitos e fatos históricos, criando interpretações muito interessantes para as origens de algumas lendas folclóricas que temos no Brasil. O roteiro é muito bem trabalho, mostrando a preocupação de costurar solidamente todos os pontos da trama. Não à toa, Eberton Ferreira ganhou o prêmio de melhor roteirista da ABRAHQ, em 2017.

Por enquanto, foram lançados 3 episódios da série. As revistas são produzidas em papel de boa qualidade e com capa colorida, ainda assim, o espírito fanzineiro da publicação é sentido em cada página. Tendo, seu autor, começado suas atividades nos quadrinhos no mundo do fanzine, como ele coloca na sua apresentação em Causos #1.

Conhece mais alguma publicação que siga essa mesma linha de ambientação? Escreva para nós.

Até a próxima!