O Processo de uma História em Quadrinhos

Por Ricardo Fonseca.

Saudações companheiros que acompanham nossa série YVY- Mistérios da Terra! Hoje vou falar um pouco sobre o processo de criação de O Dia da Caça.

Eu e o meu parceiro nesta segunda jornada pelo universo da Eva, Rafael Martins da Costa, começamos a pensar no argumento desta história no início de 2016, reunimos referências para cenários e personagens, debatemos o roteiro e possíveis desdobramentos futuros da trama, até chegarmos ao story board (rafes do roteiro ilustrado) definitivo.

ruínas de cemitério

Exemplos de imagens conceituais para criação das páginas.

São Miguel das Missões

Exemplos de imagens conceituais para criação das páginas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O meu processo para desenhar O Dia da Caça seguiu as seguintes etapas;

1.Desenho à lápis das páginas em tamanho A3, procurando valorizar a expressividade das linhas e traços.

página à lápis.

Esboço à lápis da página 2 – O Dia da Caça

2.Digitalização das páginas (scanner), transformação dos tons cinza do grafite em azul e impressão das páginas resultantes em formato A4.

página em azul

A transformação do desenho em tons azuis facilita o processo de finalização das páginas para a arte-final.

  1. Na arte-final das páginas usei canetas de nanquim descartável (0,2 e 0,4) e em alguns áreas de maior preenchimento, canetas pitt e pilot.
página finalizada com caneta

 As páginas A4 arte-finalizadas são novamente scaneadas e digitalmente removem-se os tons de azul para a aplicação textos e balões.

Em linhas gerais este foi o processo de desenho da história. Argumento, roteiro, storyboard, esboços à lápis e arte final à caneta.

Boa leitura e até a próxima!

 

 

 

 

Anúncios

Por que webcomics?Aonde elas podem chegar?

Por Rafael

Nos últimos anos tem ganhado relevância, no mundo dos quadrinhos, um formato de publicação típico da nossa era tecnológica/informacional, estou falando das chamadas webcomics, webquadrinhos ou ,simplesmente, quadrinhos pela internet. Podemos dizer que são histórias em quadrinhos publicadas nas plataformas de internet, como blogs, websites, facebook, twitter, etc. Atualmente, são incontáveis os títulos e personagens lançados na rede mundial de computadores. Tentando acompanhar essa tendência, lançamos YVY – Mistérios da Terra, em março de 2017.

Certamente, uma inspiração para essa iniciativa foi a explosão do fenômeno O Doutrinador. Esta já clássica história em quadrinhos (HQ) começou a chamar a atenção durante as chamadas Jornadas de Junho, em junho de 2013, fazendo história juntamente com o povo nas ruas. Nesse período, o facebook era inundado por fotos de manifestantes tomando as ruas por todo o Brasil, confrontos com a polícia, repressão, pessoas golpeadas, vidraças quebradas, etc. tudo isso fazia parte do cardápio diário dos usuários dessa rede social. Em meio a esse turbilhão de imagens, ganharam destaque páginas de uma HQ, atualizada semanalmente, que traziam um personagem todo de preto, capuz, camiseta de rock, máscara de gás, armas e acessórios militares. Se a justiça não era possível nas ruas ou no congresso nacional, nas páginas de O Doutrinador, o leitor poderia acompanhar políticos e empresários corruptos encontrando um fim digno para eles. Com a imensa repercussão de seu trabalho, seu autor, Luciano Cunha, começa a busca de viabilizar seu projeto com a venda de camisetas, prints, a versão impressa da HQ e a versão digital. Em 2018 seu personagem ganhará as telas do cinema. Quem sabe, este seja o mais bem sucedido projeto de quadrinhos que começou pela internet, ao menos no Brasil.

Outros exemplos de webcomics brasileiras que parecem ter se viabilizado de maneira satisfatória, porém navegando pelo gênero cartum/tirinhas, são os Quadrinhos Ácidos e o Willtirando , criadas, respectivamente, por Pedro Leite e Will Leite. Através da excelente resposta do público, com milhares de compartilhamentos e inscritos em redes sociais, seus autores puderam investir em várias áreas, desde comercialização de produtos com a estampa dos seus personagens, livros impressos, livros digitais, até arrecadação em plataformas de crowdfunding. Parece haver muitas possibilidades para quem tem um projeto original de quadrinhos.

Ainda temos outros projetos como a personagem Valkíria, de Alex Mir e Alex Genaro, que tem suas histórias publicadas na plataforma petisco, ou o site Outros Quadrinhos, onde por exemplo, temos a HQ Contos do Cão Negro. Ambas ganharam suas versões impressas e conquistaram boa aceitação de público, mas a intenção desse texto não é fazer uma longa lista de títulos e personagens brasileiros, portanto, saiamos do país, por um momento, e vamos conhecer outras webcomics pelo mundo.

A menos que esteja enganado, parece ser no exterior, Estados Unidos e Europa, que temos uma repercussão maior dos projetos de quadrinhos pela internet. Existem centenas de títulos, que podemos encontrar em websites quem fazem um “ranqueamento” das webcomics mais populares, tipo um top 100 ou top 50. Um dos mais populares é o Spying With Lana, dos Estados UnidosEssa HQ tem como personagem central Lana, uma agente secreta sensual que, usando muito pouca roupa, se envolve nas missões mais estapafúrdias possíveis. Mesclando humor e erotismo, essa webcomic angariou milhares de seguidores e parece dar um bom retorno a seu autor, Sean Harrington.

Também dos Estados Unidos, venho a série Mag Na Mell. Com centenas de seguidores, esse projeto se fundamenta non folclore irlandês e apresenta, ao leitor, um mundo habitado por brinquedos que seguem suas vidas a partir de onde parou a fantasia de seus donos. Enviei uma fanart para a autora, Emily Rhain Andrews, que em retribuição me mandou alguns dos produtos com que ela trabalha no seu site, como diversos impressos e objetos dos personagens do universo criado por ela. Confira as imagens abaixo:

mag na mell key ring

mag na mell prints

 

 

 

 

 

mag na mell print

Na Europa, um título muito popular se chama El Vosque . Como sugere o título, a HQ é recheada dos ícones ligados ao imaginário europeu dos bosques, como elfos, druidas, fadas e animais falantes. Com um estilo próximo do Mangá, essa série é publicada na sua homepage em dois idiomas; espanhol e inglês, possui uma loja virtual com livros impressos e camisetas e um link para a plataforma de crowdfunding chamada Patreon, tudo indica que é um projeto rentável.

No universo hispano hablante, existe uma plataforma, meio rede social, chamada Subcultura. Fazendo o registro, você ganha um perfil, onde pode postar suas páginas de HQ, artes avulsas e textos. Também pode se relacionar com os demais autores, curtindo, “faneando”, comentando, compartilhando, etc. É uma rede muito rica para travar relações no campo das webcomics. Foi feito um perfil de YVY nessa plataforma e a ideia é explorar ao máximo seu potencial.

As webcomics chegarão a substituir as HQs impressas? Quem pode saber? Quais serão as formas de leitura do futuro? São coisas difíceis de antecipar, mas algo que acredito ser possível de dizer é que a internet facilitou um pouco o trabalho dos autores e autoras. Divulgando de maneira própria seu trabalho e para um público amplo, podendo travar relação direta com leitores, um caminho promissor se abre para quem quer fazer quadrinhos na internet e não dispõe de muitos recursos financeiros para iniciar uma publicação. Este é um pouco do caminho que pretendemos percorrer com YVY, carregando um pouco da História e cultura local em que seus autores estão imersos, no sul do Brasil, contando histórias interessantes e esperando fazer jus ao apoio do público.

 

O Dia da Caça!

No dia 7 de agosto irá ao ar a primeira página do segundo episódio de YVY – Mistérios da Terra. Esta história, toda em preto e branco, apresentará um clima mais pesado e um aspecto mais sombrio da personalidade da nossa heroína, Eva, que terá de enfrentar a crueldade de um grupo de bandeirantes, caçadores de gente. E ela não será menos cruel. A inconfundível arte de Ricardo Fonseca, desenhista portoalegrense que também assina as capas da série, nos conduzirá por essa história. Para conhecer mais desse artista clique aqui.

Confirme presença no evento do facebook, para não perder o início da história, clicando aqui.

página de quadrinhos

Uma das páginas da história.

capa de quadrinhos

Capa do segundo episódio. Arte de Ricardo Fonseca