Êxodo! Terceiro episódio de YVY.

êxodo

Capa do terceiro episódio, arte de Ricardo Fonseca.

Dia 5 de julho, irá ao ar, aqui no site, o terceiro episódio de YVY. Nele, Eva tem que ajudar os guaranis de uma redução a escapar da fúria assassina dos bandeirantes. Já tá rolando o evento no facebook, se marca lá e é só aguardar.

Obrigado e até a próxima!

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Povos Indígenas em Quadrinhos

Por Rafael.

cacique raoni

Recomendado pelo amigo Guilherme Smee, conheci o álbum Povos Indígenas em Quadrinhos. Lançado em 2012, pela editora Zarabatana Books, a obra é de autoria de Sérgio Macedo, quadrinista brasileiro com larga carreira na França (tendo realizado trabalhos até na lendária revista Metal Hurlant), cujo trabalho, acredito, deveria ser mais conhecido pelos brasileiros.

Como o título sugere, o livro é um minucioso documentário, em forma de história em quadrinhos, sobre a verdadeira epopeia de alguns povos indígenas do Brasil pela sobrevivência. Sérgio Macedo, que levou mais de uma década na elaboração da obra, optou por uma arte em estilo realista. Nas suas belas pinturas de acrílica sobre papel, ele usou, como referência, fotos de jornais, revistas e de amigos, reforçando o aspecto de documentário da obra.

Povos Indígenas em Quadrinhos traz a história dos povos Yanomami, Xavante, Kayapó, Suruí e Panará, e mais um capítulo sobre a formação do parque indígena do Xingu. Nas epopeias desses povos, uma coisa em comum. O contato com a civilização branca lhes trouxe a morte, seja ela em forma de doenças desconhecidas, violência pura e simples, álcool, prostituição ou perdendo as terras para a mineração ilegal ou legal. A obra traz, também, a lembrança de nomes conhecidos da luta indígena, o antigo deputado xavante Mário Juruna, o célebre cacique Raoni dos Kayapó e o líder yanomami Davi Kopenawa.

Conhecemos a tragédia que assolou o povo judeu durante o regime nazista, mas lendo este livro, aprendemos que, nos interiores deste imenso país, longe dos olhos da população das cidades, outros povos travaram, e travam, uma luta feroz pela sobrevivência, física e cultural.

povos indígenas em quadrinhos

A obra de Sérgio Macedo, nos ajuda a conhecer e respeitar um outro Brasil (o que é o Brasil?), que muitos se recusam a aceitar. Mas ele próprio não se recusa a continuar existindo.

Outras obras que trazem a temática indígena brasileira:

 

 

Quadrinhos e mitos populares – A Liga dos Pampas

Por Rafael.

a liga dos pampas

As histórias fazem parte da identidade de um povo. Através delas, pode-se construir significados, memórias, características, sentido coletivo, etc. As nações costumam construir narrativas épicas para exaltar suas histórias, seus feitos, seus supostos valores, enfim, tudo aquilo que lhe confere identidade e as fazem ser o que é.

Os mitos e lendas de cada povo ou nação, com seus personagens e seus dramas fantásticos, também contribuem na construção dessa identidade, na transmissão de costumes e valores.

Na indústria de entretenimento, vemos muitos exemplos de utilização desses personagens mitológicos nos mais diversos meios. São inúmeros os filmes, livros, videogames e histórias em quadrinhos em que figuram vampiros, lobisomens, duendes, minotauros, elfos, sereias, fadas, cavalos alados, anjos, demônios, deuses gregos, egípcios ou nórdicos, etc. Talvez, nesse caso, as histórias sejam mais um passatempo moderno do que um meio de transmissão de valores e identidades. Essa ideia pode ser contestada, e são vários os trabalhos acadêmicos que analisam os impactos da mídia de massa na construção de significados e identidades.

Simples entretenimento ou não, que tal se os contadores de histórias se baseassem nos mitos populares dos lugares onde vivem? Que caminhos seriamos levados a trilhar? Que sentidos produziríamos?

É o exemplo de A Liga dos Pampas, história em quadrinhos de Jader Correa (roteiro e desenhos), com a participação de Guilherme Smee no roteiro. Lançada em 2017, a obra nos traz as aventuras de um grupo diferente de heróis. Não é possível afirmar, mas o título e a história parecem fazer referência à conhecida Liga Extraordinária, história em quadrinhos em que o escritor Alan Moore une diferentes personagens clássicos da literatura, como Alan Quarteraman, Dr. Jekil e Mr. Hyde, o Homem Invisível e o Capitão Nemo. Personagens criados no final do século XIX, época da revolução industrial e do desenvolvimento científico e tecnológico na Europa.

De maneira parecida, A Liga dos Pampas unirá personagens da literatura pampeana. Cujas histórias se tornaram conhecidas num período parecido com o dos personagens europeus citados, o final do século XIX, ainda que numa realidade mais rural, menos tecnológica. Aqui, encontraremos o lendário Negrinho do Pastoreio junto com a conhecida Salamanca do Jarau, os dois se unem ao contador de causos Blau Nunes, o aventureiro sem-fronteiras Martin Fierro e o mito guarani do Anguera.

Ao longo da história, os personagens vão se unindo, tendo como guia a Salamanca do Jarau, uma feiticeira que tem contato permanente com os seres do além, e ela que descobre a aproximação de um grande mal ao nosso mundo.

Assim como a Salamanca, cada personagem contribuirá com suas características para a aventura, o Negrinho, com seu poder de localizar qualquer coisa, o Blau com sua esperteza e senso de oportunidade, Martin Fierro com sua coragem e o Anguera com seu poder sobre a madeira (lembrando um pouco o que o mutante Magneto faz com os metais) .

A história em quadrinhos possui uma narrativa muito ágil e fluida, prendendo o leitor do começo ao fim. As cores mutio suaves incrementam a atmosfera da história e a publicação ainda conta com as páginas de prólogo e epílogo desenhadas por Matias Streb, que trabalha muito bem com a aquarela.

A Liga dos Pampas é uma obra que possui potencial para ser usada também em sala de aula, por sua linguagem e por sua temática. Trazendo aos estudantes, referências da mitologia do sul do Brasil e pampeana, de uma forma fácil e divertida.

Não deixe de conhecer essa história. Você pode fazer contato com a editora Edibook, contato@edibook.com.br.

Até a próxima!

 

 

 

Êxodo de Guaíra

Por Rafael.

êxodo

Êxodo é o título do próximo episódio de YVY que, em breve, estará disponível no blog. A história foi inspirada no episódio real da destruição das chamadas reduções do Guaíra, que ficavam onde hoje é território do estado brasileiro do Paraná, próximo à fronteira com a república do Paraguai.

As reduções foram atacadas, saqueadas e devastadas por várias incursões dos bandeirantes paulistas, que realizavam tais ações na busca do apresamento de nativos para o trabalho escravo. O último ataque foi liderado pelo famoso bandeirante Raposo Tavares. Conta-se que as crianças indígenas foram simplesmente mortas, para que não atrasassem o passo da expedição. Os bandeirantes foram recebidos com festa quando chegaram em São Paulo. Clique aqui para saber mais.

O padre Ruiz de Montoya, na ocasião dessa tragédia, conseguiu organizar uma fuga com cerca de 12 mil indígenas pelo rio Paraná. Uma marcha que foi comparada com a fuga dos judeus do Egito, o grande êxodo.

Enquanto o terceiro episódio não fica pronto, conheça os dois primeiros:

 

 

 

A Cor.

Por Rafael.

A Cor capa

Na última postagem, tratei de um trabalho paralelo à YVY em que estou envolvido. Hoje, trago o trabalho paralelo de Ricardo Fonseca, responsável pelos desenhos dos episódios 2 e 3, este último ainda não foi ao ar. Trata-se do livro A Cor, com roteiro e desenhos do Ricardo e com o tratamento digital de Dreyfus Soler nos tons de cinza, luzes e demais efeitos.

A história se baseia em um conto do cultuado escritor H.P. Lovecraft, chamado A Cor que veio do Espaço. Na Versão de Ricardo e Dreyfus, um meteoro atinge a terra e libera uma criatura que emana uma cor não existente na Terra. As pessoas sob a influência dessa cor apresentam um comportamento estranho e o mistério vai sendo desvendado por um advogado que investiga os impactos gerados pela construção de uma barragem em uma pequena cidade do interior dos EUA.

Podemos ver que a história se relaciona bem com nosso contexto atual, em que barragens ameaçam a vida de milhares de pessoas, ainda que Ricardo tenha começado a escrevê-la em 2014.

tira de quadrinhos

O livro foi lançado no último sábado, 16 de outubro, e essa primeira tiragem traz uma novidade interessante e que deu muito trabalho aos autores. As cores da criatura espacial foram pintadas à mão por Ricardo e Dreyfus, em cada exemplar, o que dá um toque único à cada livro. Mais informações no site da dupla. Não deixe de conhecer esse projeto.

Obrigado!

Quadrinhos Argentino-Brasileiros.

Por Rafael.

infierno grande

Hoje, gostaria de divulgar um projeto em que estou envolvido. Diferentemente de YVY, onde também sou roteirista, neste outro, minha função é só de desenhista. Me refiro à webcomic Infierno Grande.  Trata-se de uma história em quadrinhos de suspense/terror, escrita pelo roteirista Guido Barsi.

A história é inspirada em uma lenda do folclore argentino conhecida como El Familiar. Poderíamos dizer que é um tipo de lobisomem. Estou muito honrado de fazer parte desse esforço transfronteiriço e latino-americano para trazer à tona uma história tão peculiar.

Guido é um roteirista e editor envolvido em muitos projetos, você pode conhecê-los no site da sua editora Pi Ediciones.

Para ler Infierno Grande você pode clicar aqui, já encontra-se lá três capítulos da história, prevista para cinco capítulos.

Apoie o quadrinho latino-americano!

 

Os Índios de André Toral

André toral

Por Rafael

“Quem gosta de índio, que vá pra Bolívia”! Essa grotesca afirmação, realizada por um deputado estadual do Rio de Janeiro, exemplifica bem a luta dos povos indígenas do Brasil. Uma luta pelo direito à existência. Um direito de se ser o que se é. Pois, nem isso mais é possível de se fazer aqui, é preciso ir para outro lugar. A identidade indígena, segundo pessoas como as que proferiu a frase, não tem espaço neste país, não faz parte do que é ser brasileiro.

Em total desacordo com esse pensamento, está o trabalho do quadrinista brasileiro André Toral. Lançado em 2009, pela editora Conrad, Os Brasileiros traz sete histórias do autor, repletas de tupinambás, tupiniquins, kaiapós e kaingangs, povos apenas “figurantes” na história do Brasil que aprendemos na escola. Porém, no livro de Toral, eles não são mero coadjuvantes, aqui ganham um papel destacado, não como “mocinhos” ou “vilões”, mas como personagens de verdade, importantes, com sentimentos, força, ambições, defeitos, ingenuidade, malícia, enfim. Personagens com substância, como poucas vezes os índios brasileiros são representados.

O livro é uma coletânea de histórias já publicadas em anos anteriores. A primeira publicação do autor foi no ano de 1986, na extinga revista Animal. A História do Brasil é muito presente no universo de André Toral, formado em ciência sociais, com mestrado em antropologia. Mas, apesar de sua formação acadêmica, as histórias de Os Brasileiros não são relatos antropológicos, nem procuram representar um trabalho científico. O autor apenas nos apresenta o indígena como um personagem respeitável. Que bom se nossas muitas identidades brasileiras estivessem sempre presentes nos meios culturais, quem sabe, se isso nos ajudasse a forjar uma outra mentalidade, um outro entendimento do que é ser brasileiro e latino-americano?

Fica aqui o convite para conhecer o autor e ler o livro. Até a próxima!