La Digna Rabia – Música e Compromisso

Por Rafael.

Banda La Digna Rabia

Foto: Marcelo Curia.

A Banda porto-alegrense, La Digna Rabia, iniciou suas atividades no ano de 2010, reunindo três amigos interessados em fazer um som, tendo como referência bandas do cenário hispano-americano, como Ska-p, Skalariak, La Polla Records, Los Fabulosos Cadillac, Karamelo Santo, Los de Abajo, entre outras. Eu era um, desses três amigos. No final de 2016, quando deixei a banda para morar em outra cidade, ela já contava com nove integrantes. Desde então, o também chamado Conjunto Musical La Digna Rabia segue mais vivo do que nunca.

O nome, “La Digna Rabia”, veio como uma referência ao conhecido festival cultural de mesmo nome, que acontece todos anos no estado rebelde de Chiapas, sul do México. Lar do conhecido Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). Um movimento social e político que busca dignidade para a população pobre mexicana, desde 1994, e que inspira movimentos políticos no mundo inteiro. Inspirando a nós, também, em Porto Alegre.

Partindo de uma referência como essa, entendemos as temáticas de muitas letras da banda (que opta por cantar em espanhol, buscando essa ligação com a América Latina) e, também, dos materiais visuais trabalhados por ela.

Nestes, encontramos caveiras mexicanas, mas também referências à povos indígenas sul-americanos como um todo. Fazendo com que, visualmente, a banda tenha uma forte ligação com a causa dos povos originários da América.

conexión chiapas

Arte do EP: Conexión Chiapas. Autor: Tharcus Aguilar.

cd la digna rabia

Arte do primeiro CD da banda. Autor: Tharcus Aguilar.

la digna rabia

Logo da banda, criado por Tharcus Aguilar.

Como desenhista, sigo contribuindo com a banda, mas Tharcus Aguilar, o baterista, que tem formação e trabalha na área das artes, é um dos principais criadores nesse sentido. A banda ainda conta com a contribuição de outro artista, o produtor artístico Leo Garbin. 

Porém, a ligação da banda com a luta dos povos originários não se dá apenas nas letras ou nas artes que ela usa. O grupo musical procura sempre levar o seu apoio às lutas concretas desse campo.

No dia 24 de março deste ano, ocorreu um ato em solidariedade à aldeia guarani mbya da Ponta do Arado, na zona sul de Porto Alegre. Uma comunidade indígena que procura lutar por seu direito à terra, em meio à pressão do mercado imobiliário, da prefeitura municipal e da Polícia Militar. Lá estava a banda para prestar sua solidariedade e participar do ato. No vídeo abaixo, temos um registo da atividade.

Mas essa não foi a primeira vez. Em abril e maio de 2018, os integrantes da banda participaram do mutirão para construção da Escola Autônoma da Retomada Guarani Mbya de Maquiné, litoral norte do Rio Grande do sul. Abaixo, algumas fotos tiradas por alguém, no dia do mutirão.

Não conhece o Conjunto Musical La Digna Rabia? Não sabe o que está perdendo. Você pode acompanhar a banda nas redes sociais:

https://www.facebook.com/conjuntomusicalladignarabia/

https://www.instagram.com/conjuntoladignarabia/

Abraços e até mais.

Visita a Retomada Guarani

Casa guarani

Por Rafael

A série YVY se inspira na história e cultura do povo guarani, cujo território ocupava uma larga mancha territorial no que hoje é considerado o centro-sul do Brasil, nordeste da Argentina, Paraguai e sudeste da Bolívia. Atualmente, esse povo vive espalhado por diferentes aldeias e nas margens das rodovias, ocupando pequenos e pobres espaços. No Rio Grande do Sul, como em outras partes, a luta pelo direito ao seu território e cultura nunca parou.

Fogo de chão

No último sábado, 15/07, fiz uma visita à chamada Retomada, uma ocupação realizada por um grupo de famílias mbyá-guarani em terras do que era a extinta FEPAGRO, Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Sul.
Fui acompanhado de minha esposa, Daniela, e minha filha Moema. Havia feito contato com o cacique André Benites, através da internet. O único meio de comunicação de que dispõe a aldeia é o celular do cacique, que é carregado através de uma placa solar, presente de apoiadores da Retomada. O sinal de telefone na área é muito ruim, então, fazer esse contato não foi algo muito fácil. Mas, no fim das contas, consegui falar com o cacique, e marquei essa visita. Reunimos, entre amigos, algumas roupas e cobertores para levar como doação. Não foi muita coisa, mas melhor do que nada e os guarani receberam de muito bom grado.

Galinhas pelo pátio da aldeia

Na entrada da antiga FEPAGRO fomos recebidos por três jovens guarani, um menino e duas moças, que nos ajudaram a carregar as sacolas até o local da Retomada. Foi uns quarenta minutos de caminhada por uma trilha, no interior da mata, um pedaço da exuberante Mata Atlântica. Ao chegar, encontramos o povo sentado em círculo, em volta de uma fogueira. Conversavam em guarani, tomavam chimarrão, fumavam seus cachimbos petynguá, crianças brincavam em volta. Fomos recepcionados pelo cacique André Benites que nos contou um pouco da situação, mas principalmente nos falou que, ali, estavam contentes, viviam tranquilamente o seu modo de vida e agradeceram muito nosso interesse em ajudá-los, para eles, todo apoio é bem vindo.

Povo em volta do fogo

A série YVY não pretende fazer um trabalho científico ou antropológico, também não deseja “representar” a cultura guarani, mas procuramos respeitar a história desse povo e, na medida do possível, apoiar essa luta. Agora, o que podemos fazer é isso, quem sabe o que nos reserva o futuro. Outras visitas ocorrerão. Máximo respeito à Retomada guarani de Maquiné!

 

 

Para saber mais, acesse o blog dos apoiadores da Retomada clicando aqui.