O Gualambau

Por Rafael.

Já comentei, aqui no blog, sobre uma visita que fiz ao Paraguai no último verão. Foi quando comentei de um livro sobre lendas paraguaias que trouxe de lá. Agora, gostaria de comentar sobre outra aquisição feita nessa mesma ocasião.

Se trata do livro de contos do escritor Augusto Roa Bastos, do qual nunca tinha ouvido falar. Um escritor paraguaio, premiado e condecorado em países como Espanha, França, Cuba, Chile, Argentina e no seu próprio país. Para comentar rapidamente sobre ele, pois sua obra não é exatamente o objeto deste artigo, destaco que em seus contos, aparece muito da realidade do seu país, sobretudo das pessoas do campo.

Em um desses contos, Los Carpincheros, o autor nos apresenta o exemplo de uma das tradições folclóricas do Paraguai, que não vem ao caso agora. O fato é que um dos personagens, em determinado momento, usa um instrumento, que é descrito como um arco, cuja uma das pontas, atravessa um cabaça. O autor revela que esse instrumento se chama Gualambau. Essa não é a descrição de um berimbau? Mas ele não é de origem africana? Foi o que pensei. Então, lá fui eu para o google, desvendar esse mistério.

O pouco, quase nada, que encontrei, fala que o Gualambau é um instrumento da tradição mbya guaranipossivelmente tendo sindo assimilado de outra cultura. Quem sabe, quando houve algum encontro com povos de origem africana, em algum momento do passado. Nunca vi ninguém do povo mbya do Rio Grande do Sul tocando esse instrumento, de modo que, se isso for verdade, talvez diga respeito ao povo mbya do Paraguai, ou sabe-se lá.

Aqui estão dois links:

– Diccionario de musica del Paraguay;

-Una Antropóloga en la Luna;

Pesquisando no youtube, queria ver se encontrava alguém tocando esse berimbau paraguaio, encontrei um grupo de música folclórica do Paraguai. O grupo se chama Peteke Peteke e um dos seus integrantes toca o curioso gualambau. Você pode conferir no vídeo a seguir:

augusto roa bastos

Capa do livro de Augusto Roa Bastos, que trouxe do Paraguai.

Guarani

Por Rafael.

guarani

Recentemente, meu parceiro de projeto YVY, o Ricardo Fonseca, me mandou um link para uma História em Quadrinhos sensacional que vou resenhar minimamente aqui pra vocês.

A chamada Guerra do Paraguai, salvo exceções, é pouco tratada nos quadrinhos nacionais, porém, temos aqui essa bela obra dos argentinos Diego Agrimbau (roteiro) e Gabriel Ippóliti (arte) que trata desse tema de grande importância para a história do Conesul.

A obra se chama Guarani e traz as aventuras do fictício fotógrafo francês Pierre Duprat que acompanha o exército argentino até o coração da República Paraguaia. Duprat é especialista em registrar povos nativos e o seu modo de vida, carrega consigo várias fotos tiradas na África. Ele quer encontrar representantes do povo guarani para aumentar seu acervo fotográfico. Ao chegar ao seu destino, acaba conhecendo profundamente a cultura e o modo de vida guarani.

Porém, durante esse caminho, se depara com o horror que foi a Guerra do Paraguai, conhecida pelos paraguaios como Guerra Grande. Em especial, testemunha a horrenda batalha que ficou conhecida como Batalha de Acosta Ñu, Acontecida no final do conflito, quando o exército paraguaio já não contava com mais soldados para continuar lutando, apelando, dessa forma, para o recrutamento de crianças. Nesse dia, milhares de soldados da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) enfrentaram um contingente paraguaio composto por menores de 15 anos na sua maioria. A pouca idade dos soldados paraguaios não diminuiu a vontade de lutar de seus inimigos, terminando, então, numa carnificina atroz. O exército brasileiro era comandado pelo Conde D’Eu, de nacionalidade francesa, casado com a princesa Isabel.

Duprat bem que tenta registrar aquela vergonhosa “batalha”, porém lhe foi ordenado pelo Conde D’Eu que destruísse esses registros, ficando, assim, esquecido na história brasileira esse absurdo protagonizado pelo nosso exército. A Batalha de Acosta Ñu se deu no dia 16 de agosto de 1869, nessa data é celebrado o Dia da Criança no Paraguai.

Na verdade, não existe uma edição brasileira dessa HQ, tive acesso a uma versão “pirata”, cujo link, para fins não-lucrativos, deixo aqui.

Até a próxima!

 

A lenda do Muembe

Por Rafael.

Muembe

O muembe é uma planta conhecida no Brasil como banana-de-macaco ou imbé. Sua característica de se enroscar no tronco das árvores gerou uma lenda no Paraguai.

Essa é mais uma história que envolve o amor entre dois jovens (Como os paraguaios gostam dessas histórias). Chihy um garoto guarani espreitava a aldeia de sua amada. Ele estava proibido de falar com ela, pois cada um deles pertencia a tribos rivais. Em um momento de distração, ele conseguiu encontrar a garota que procurava e ambos fugiram.

Acompanhe nossa webcomic.

O pai da garota ordenou um grupo para alcançar os dois. Depois de muito fugir, o casal acabou encurralado.  Não havia mais por onde escapar e eles apenas abraçaram-se fortemente. Tupã, observando tudo, se sensibilizou com a determinação dos jovens em viver seu amor proibido e decidiu ajudá-los.

Quando os perseguidores estavam a ponto de cair em cima do casal, não encontraram mais os dois. No lugar onde eles estavam abraçados, havia uma grande árvore de yvyrapytã (ibirapuitã?) enroscada por um muembe (ou imbé, para os brasileiros). E, assim, Chihy e sua amada viveram felizes e plantados para sempre.

Outras lendas:

Outra lenda da erva-mate.

A lenda da mandioca.

A lenda de Avati.

 

 

 

 

A Lenda do Muã (o vagalume)

Por Rafael.vagalumes

A lenda do Muã, vagalume em guarani, (em espanhol, luciérnaga) conta a história de uma feiticeira, chamada Bonichua, que se apaixonou por um lindo jovem, de nome Asukape.

A feiticeira, já bem adiantada em sua idade, não teria outra maneira de conquistar o amor do jovem que não fosse por suas bruxarias. Porém, Asukape usava um medalhão feito de uma pedra de itakaru (magnetita em guarani)que o protegia de feitiçarias. Além do mais, ele estava apaixonada por outra jovem, chamada Avatiky.

Um dia, por ciúmes, Bonichua encontra Avatiky na beira de um rio e a rapta. Em sua caverna, a bruxa corta a jovem em pedaços, com um machado. A fim de esconder as provas da sua atrocidade, ela coloca os restos de Avatiky em uma bolsa e vai até o topo de um morro para livrar-se deles.

Lá em cima, ela lança a bolsa no vazio e, logo que sai das suas mãos, algo estranho acontece. A bolsa se abre e, dela, partem centenas de pontos luminosos que esvoaçam ao redor da bruxa. Atrapalhada, ela quer agarrar as estranhas luzes, não pode deixar que descubram sobre o seu crime. Mas as luzes acendem e apagam, fugindo de Bonichua. Impossível alcançá-las. E, assim, ela não consegue esconder o seu flagrante.

Gostou dessa lenda? Conheça outras:

A lenda do Martim Pescador (El Jurunda

Paraguai, rio das coroas: A lenda de Irupê

A Lenda do Urutau