A lenda do Muembe

Por Rafael.

Muembe

O muembe é uma planta conhecida no Brasil como banana-de-macaco ou imbé. Sua característica de se enroscar no tronco das árvores gerou uma lenda no Paraguai.

Essa é mais uma história que envolve o amor entre dois jovens (Como os paraguaios gostam dessas histórias). Chihy um garoto guarani espreitava a aldeia de sua amada. Ele estava proibido de falar com ela, pois cada um deles pertencia a tribos rivais. Em um momento de distração, ele conseguiu encontrar a garota que procurava e ambos fugiram.

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O pai da garota ordenou um grupo para alcançar os dois. Depois de muito fugir, o casal acabou encurralado.  Não havia mais por onde escapar e eles apenas abraçaram-se fortemente. Tupã, observando tudo, se sensibilizou com a determinação dos jovens em viver seu amor proibido e decidiu ajudá-los.

Quando os perseguidores estavam a ponto de cair em cima do casal, não encontraram mais os dois. No lugar onde eles estavam abraçados, havia uma grande árvore de yvyrapytã (ibirapuitã?) enroscada por um muembe (ou imbé, para os brasileiros). E, assim, Chihy e sua amada viveram felizes e plantados para sempre.

Outras lendas:

Outra lenda da erva-mate.

A lenda da mandioca.

A lenda de Avati.

 

 

 

 

Outra Lenda da Erva-Mate

Por Rafael.

lenda da erva mate

Já foi publicado, aqui no blog, um artigo sobre a lenda da erva-mate do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay. Agora, conheceremos mais uma lenda envolvendo essa erva tão conhecida dos habitantes do cone-sul, extraída desse mesmo livro.

Ela conta sobre uma garota de nome Ka’a que, distraída à beira de um rio, se encantou por um jovem guarani mbya que por ali passava. Depois de vê-lo, ao longe, ela não conseguia mais esquecer o seu rosto. Mais tarde, descobriu que o rapaz passaria um tempo em sua aldeia e ficou muito feliz. Fazia de tudo para estar nos mesmos lugares que ele.

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Acreditando que o rapaz lhe correspondia os olhares, ela ficava cada vez mais entusiasmada. E, para completar, todas as noites, ele aparecia em seus sonhos, ela estava enfeitiçada.

Em uma dessas noites, ela se levanta, como que guiada por alguma força desconhecida, que conduz seus pés para algum lugar. Na sua mente, apenas a imagem do belo mbya. Seu trajeto termina na beira do rio, aquele mesmo, onde ela conheceu o rapaz. E, para o espanto da garota, lá estava ele.

Ela o abraça com força e confessa o seu amor. O jovem parece ter sido pego de surpresa, não sabe o que fazer. Então, o inesperado. O mbya agarra sua machadinha de pedra e golpeia a cabeça da garota, que morre antes mesmo de cair no chão. Depois disso, simplesmente vai embora, deixando Ka’a ali, mesmo, na beira do rio, com a cabeça se esvaindo em sangue.

Muitos anos se passam e o jovem envelhece. Ele, que passou a vida toda carregando o peso daquela morte, ao ver seu fim chegando, volta para a beira daquele mesmo rio. Lá, onde Ka’a morrera, havia crescido um belo arbusto. Sentou-se em uma pedra ao lado daquela da planta e, enquanto meditava, agarrava algumas daquelas folhas e as levava à boca, mascando-as. As folhas, de algum modo, aliviaram o peso na alma do velho mbya  e ele, enfim, pode morrer em paz.

Conheça outras lendas:

 

 

 

A lenda do Ka’aguy Póra: O Caipora paraguaio

Por Rafael.

Ka'aguy poraNo folclore brasileiro é bem conhecida a lenda do Caipora, Caapora ou, também,  Curupira. Aquela criatura fantástica que habita as matas, protegendo os animais dos caçadores inescrupulosos.

Para minha surpresa, lendo o livro Leyendas y creencias populares del Paraguay, encontrei esta mesma história, porém, no Paraguai, essa criatura sobrenatural tem outro nome, é o  Ka’aguy Póra. Estas são duas palavras guarani, Ka’aguy, que significa mata ou bosque, e Póra, fantasma ou duende. Ou seja, o fantasma da mata. Podemos imaginar que a palavra Caapora, que conhecemos no Brasil, se origina desse mesmo idioma nativo americano.

O livro que consultei, mostra a história de três homens que, bêbados, entram na mata para disputar quem era o mais valente, quem caçaria o maior animal. Sendo este, um motivo torpe para se matar qualquer ser vivo da floresta, o Ka’aguy Póra, lança a sua fúria contra eles. Nessa versão, o Ka’aguy Póra é diferente do nosso Caapora. Ele não tem pés virados,  nem monta um porco do mato. Tem, sim, apenas um olho na cabeça, uma crina, e um cachimbo feito com um crânio humano. Além disso, ele possui cerca de cinco metros de altura. Não seria, então, um duende, está mais para um gigante.

Parece que, no folclore, temos um ponto de união entre Brasil e Paraguai. Não haveria mais pontos como esse? E em relação a outros países do continente? Quem sabe não seríamos mais próximos do que pensamos?

A Lenda do Chajá

Por Rafael.

El chajá

O chajá é um pássaro conhecido no Brasil como tachã ou tarrã. Essa lenda é conhecida em toda área da chamada “mesopotâmia argentina”, ou seja, a grande planície alagada entre os rios Paraná e Uruguai. A contam desde a república uruguaia até o Paraguai, passando pelas províncias argentinas de Entre Rios e Corrientes. Pesquisando na internet, não vi menção sobre ela no Brasil.

A história fala que um dia, Jaci, a lua, desceu à terra para ver como andava se comportando a humanidade. Ela levou sua irmã menor Mbyja. As duas caminhavam e encontraram um grupo de lavadeiras à beira de um rio. Elas pareciam felizes, riam, jogavam água umas nas outras e brincavam.

As duas entidades divinas decidiram testar aquelas garotas e se aproximaram. Jaci disse que sua irmã pequena estava com muita sede e pediu um pouco de água para as garotas. Elas se trocaram olhares matreiros e uma delas agarrou uma cabaça que tinha ali perto e a encheu no rio, dando para Mbyja.

O problema é que não era água pura o que tinha na cabaça e quando a irmã de Jaci a levou à boca, percebeu que estava cheia de espuma de sabão. Jogou a cabaça no chão e as duas foram embora. As lavadeiras riram muito, se divertindo com a peça que pregaram. Quanto mais a menina chorava, mais elas gargalhavam.

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A Lenda do Muã (o vagalume)

Por Rafael.vagalumes

A lenda do Muã, vagalume em guarani, (em espanhol, luciérnaga) conta a história de uma feiticeira, chamada Bonichua, que se apaixonou por um lindo jovem, de nome Asukape.

A feiticeira, já bem adiantada em sua idade, não teria outra maneira de conquistar o amor do jovem que não fosse por suas bruxarias. Porém, Asukape usava um medalhão feito de uma pedra de itakaru (magnetita em guarani)que o protegia de feitiçarias. Além do mais, ele estava apaixonada por outra jovem, chamada Avatiky.

Um dia, por ciúmes, Bonichua encontra Avatiky na beira de um rio e a rapta. Em sua caverna, a bruxa corta a jovem em pedaços, com um machado. A fim de esconder as provas da sua atrocidade, ela coloca os restos de Avatiky em uma bolsa e vai até o topo de um morro para livrar-se deles.

Lá em cima, ela lança a bolsa no vazio e, logo que sai das suas mãos, algo estranho acontece. A bolsa se abre e, dela, partem centenas de pontos luminosos que esvoaçam ao redor da bruxa. Atrapalhada, ela quer agarrar as estranhas luzes, não pode deixar que descubram sobre o seu crime. Mas as luzes acendem e apagam, fugindo de Bonichua. Impossível alcançá-las. E, assim, ela não consegue esconder o seu flagrante.

Gostou dessa lenda? Conheça outras:

A lenda do Martim Pescador (El Jurunda

Paraguai, rio das coroas: A lenda de Irupê

A Lenda do Urutau

A Lenda do Urutau.

Por Rafael.

Essa é uma lenda paraguaia que é contada, de forma um pouco diferente, no Brasil. Também extraída do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.  Como não podia deixar de ser, trata de uma história de amor entre dois jovens, que termina tragicamente.

Uruti, a filha do grande chefe guarani, de nome Arakare, se apaixona por um jovem de uma tribo rival, chamado Jaguarainga. Nesse Romeu e Julieta guarani (ou Romeu e Julieta é que seriam o Uruti e Jaguarainga inglês?) o pai da moça a encontra junto com seu amado e decide levá-la ao pajé da tribo, que determina que Uruti deve permanecer casta pelo bem do seu povo, para que nenhuma maldição veia cair sobre eles.

Obviamente, os jovens mandam a determinação do pajé para os quintos do inferno e voltam a se encontrar. Quando o chefe Arakare consegue colocar a mão sobre Jaguarainga, este tem o seu trágico fim, com um golpe de tacape na cabeça e seu corpo desmembrado logo depois.

Uruti amaldiçoa seu pai e foge para a floresta para nunca mais ser vista, sua mãe, em solidariedade a filha vai atrás dela. O chefe Arakare termina seus dias sozinho e amargurado, sem nunca mais ver sua mulher e filha.

Hoje, dizem que o canto do urutau, uma ave noturna do conesul da América, é o lamento de Uruti que perdeu seu amado de forma tão brutal.

urutau

 

 

A Lenda da Erva-Marte.

Por Rafael.

ca'a iary

Ainda que eu seja gaúcho, e more no Rio Grande do Sul, tomando chimarrão desde criança, não conhecia a lenda da erva-mate. Mais uma do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Os trabalhadores da erva-mate, que no Paraguai são conhecidos como “mineros”, acreditam na lenda de Ka’a Iary ou Ca’a Iary. Ela diz que, se você deixar um bilhete para o espírito de Ka’a Iary entre as folhas da árvore de erva-marte e aparecer nesse local à noite, você encontrará com ele. Porém, o espírito não aparece assim tão facilmente, primeiro há um teste. Você deve encarar o ataque de uma onça e de outros animais selvagens, sem se assustar. Se correr, será morto. Se permanecer de sangue frio, sem medo, os animais não se importarão com você, então, o espírito aparecerá e lhe proporá um trato.

Na versão que li, se tratava de um espírito feminino, então, ele exigirá fidelidade de você, que não poderá ficar nunca mais com outra mulher. Nessa versão, não explicava se uma mulher poderia invocar o espírito, não sei como isso ficaria.

Se cumprir essa simples exigência, o espírito o ajudará para sempre, colhendo as folhas da erva-mate por você, fazendo peso na balança para que ganhe mais, enfim. Se você for um trabalhador da erva-mate, só há vantagens em se fazer o trato com o espírito de Ka’a Iary,

A lenda do Ñanduti – O bordado paraguaio.

Por Rafael.

ñanduti

Outra lenda do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay é a lenda do Ñanduti. Assim como a lenda do Karãu, é mais uma história que envolve uma mãe e um jovem apaixonado.

Resumindo. Ñandu Guasu, um jovem indígena, andava deprimido pelo amor não correspondido de outra jovem, chamada Sapuru. Ele sabia que se lhe desse um presente bonito o bastante, conquistaria o amor dela. Então, Ñandu Guasu, encontrou, pendurado em uma árvore, um lindo tecido tramado, que brilhava à luz do sol. Pensou que aquele seria um belo presente para Sapuru.

No entanto, ao agarrar o tecido, ele se desfez no ar. O jovem voltou para casa chorando, então sua mãe, querendo ajudar o filho, pediu para que a levasse para o lugar onde ele tinha visto o tecido. E lá estava ele novamente, com um novo tramado, lindo.

A mãe de Ñandu Guasu, uma velha senhora, pegou cada fio de seu cabelo grisalho e trançou um tecido tão bonito quanto aquele que ali estava e deu para o filho. Este, contente, levou o presente para Sapuru e se casou com ela.

Daí surgiu a tradição paraguaia de elaborar bonitos e complexos rendados, conhecidos como Ñanduti.

Lendas Paraguaias – El Caráu

Conhecido no Brasil como carão, e na América hispânica como caráu (em guarani, karãu), essa ave aquática habita os brejos e banhados do conesul. No Paraguai, e em áreas das províncias argentinas de Missiones e Corrientes, se conta a lenda do Carão, ou a leyenda del Karãu ou Caráu.

Segundo essa lenda, o carão era um jovem guarani que saiu para buscar remédio para sua velha mãezinha que estava muito doente, prestes a morrer. Acontece que o jovem encontrou uma festa no caminho e parou para ver o que estava acontecendo. Durante a festa, conheceu uma garota e se encantou por ela.

O jovem índio só queria saber da garota e esqueceu o remédio de sua mãezinha, que acabou morrendo. O problema é que ele entrou em um banhado, atrás daquela linda garota que conheceu na festa, e se perdeu, no meio da neblina. Hoje, o carão vive pelos pântanos chorando a perda de sua mãezinha.

Existem várias versões dessa lenda, a que contei, de forma resumida, se baseia no livro de Jorge Montesino, Leyendas y creencias populares del Paraguay. Caráu o Carão Continuar lendo

Lendas do Paraguai

Por Rafael.

Na minha rápida visita ao Paraguai no último verão, trouxe este livro muito interessante, Leyendas y Creencias Populares del Paraguay, organizado pelo autor Jorge Montesino.

Como o título sugere, traz diversas histórias da mitologia que envolve a cultura paraguaia, como a lenda do milho, da mandioca, erva-mate, entre outras. Veremos quanta similaridade existe entre os povos paraguaio e brasileiro.

Acompanhe nossa webcomic.

Começarei esta semana a falar das histórias deste livro aqui no blog, aguardem!lendas do paraguai

Confira algumas lendas:

A lenda do muembe.

Lenda da erva-mate.

A lenda da mandioca.

A lenda do milho.