Lenda do Macaco (Ka’i)

Por Rafael.

macaco-prego

Eis a última lenda do livro Leyendas y Creencias Populares del Paraguay. É a lenda de como foi a criação dos macacos, ou ka’i, em guarani. Ela conta a história de um garoto que gostava muito de pregar peças nas pessoas. Era brincalhão de mais, de um tipo que que chegava a ser chato. Muitos lhe advertiam para que mudasse seu comportamento, pois aquilo poderia não terminar bem para ele.

O garoto não fazia caso, não ouvia ninguém. Continuava com seu modo de vida impertinente. Certa vez, ele e outros garotos, subiram em uma árvore de guabiroba para comer e se divertir. Um velho senhor que por ali passava, viu a árvore e os garotos e se dirigiam a eles. Pediu que lhe dessem alguma fruta, pois havia caminhado muitos dias e estava com fome. Os garotos, no lugar de ajudar o senhor, aproveitaram o momento para fazer mais uma brincadeira, atirando frutas no homem e rindo.

Este protegia a cabeça com as mãos e pedia para que os garotos parassem com a brincadeira. O azar deles foi que, bem na hora, estava passando por ali o Ka’aguy Póra, o espírito da floresta, que não gostou nada do que viu.

Indignado com a covardia e falta de respeito dos moleques, decidiu lançar um feitiço neles. De repente, os meninos, enquanto riam, percebiam que crescia pelos no seu corpo e caldas nos seus traseiros. E assim, nasceram os macacos-pregos, que correm, saltam e se penduram onde podem, sem parar.

Assim termina essa série de postagens sobre as lendas guarani-paraguaias. Espero que tenham servido para despertar seu interesse pela cultura desse país, que é tão parecida com a brasileira, em muitos aspectos. Conheça as outras lendas:

Lenda do sapo.

Lenda do muembe.

Outra lenda da erva-mate.

Lenda da mandioca.

 

 

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Lenda do sapo (kururu)

Por Rafael.

sapo cururu

Kururu, ou cururu, é a palavra guarani para sapo. No Brasil, existe uma espécie conhecida como sapo-cururu. Por que só essa espécie de sapo é chamada de cururu? Não  sei. Mas existe uma lenda guarani da criação do sapo. Vamos conhecê-la.

Lendas do Paraguai.

Diz a lenda que, no início da criação do mundo,  Tupã estava na beira de um rio, de onde ele tirava a argila com a qual moldava os animais que iriam habitar o mundo. O grande pai criador, manipulava a argila e, depois, a soprava, lançando ao mundo belos animais. Anhá, o diabo, escondido, observava e invejava a beleza daquelas criações.

Então, depois de Tupã criar o animal mais lindo de todos, o mainumby, ou beija-flor, ele foi descansar. Anhá aproveitou a oportunidade e, roxo de inveja, foi para o rio, agarrou um pouco de argila, moldou alguma coisa e soprou.

A lenda da erva-mate.

A lenda do urutau.

A criatura que saiu dali, era tão feia e deformada que, com vergonha dela mesmo, foi viver escondida no escuro, onde ninguém a veja. O Anhá, um ser do mal, não poderia haver criado nada belo. Da sua criação, havia nascido o kururu, ou sapo.

Pobre sapo, um bichinho tão simpático, uma cria do demo. Igual, sigo gostando deles.

Até a próxima.

Outra Lenda da Erva-Mate

Por Rafael.

lenda da erva mate

Já foi publicado, aqui no blog, um artigo sobre a lenda da erva-mate do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay. Agora, conheceremos mais uma lenda envolvendo essa erva tão conhecida dos habitantes do cone-sul, extraída desse mesmo livro.

Ela conta sobre uma garota de nome Ka’a que, distraída à beira de um rio, se encantou por um jovem guarani mbya que por ali passava. Depois de vê-lo, ao longe, ela não conseguia mais esquecer o seu rosto. Mais tarde, descobriu que o rapaz passaria um tempo em sua aldeia e ficou muito feliz. Fazia de tudo para estar nos mesmos lugares que ele.

Acreditando que o rapaz lhe correspondia os olhares, ela ficava cada vez mais entusiasmada. E, para completar, todas as noites, ele aparecia em seus sonhos, ela estava enfeitiçada.

Em uma dessas noites, ela se levanta, como que guiada por alguma força desconhecida, que conduz seus pés para algum lugar. Na sua mente, apenas a imagem do belo mbya. Seu trajeto termina na beira do rio, aquele mesmo, onde ela conheceu o rapaz. E, para o espanto da garota, lá estava ele.

Ela o abraça com força e confessa o seu amor. O jovem parece ter sido pego de surpresa, não sabe o que fazer. Então, o inesperado. O mbya agarra sua machadinha de pedra e golpeia a cabeça da garota, que morre antes mesmo de cair no chão. Depois disso, simplesmente vai embora, deixando Ka’a ali, mesmo, na beira do rio, com a cabeça se esvaindo em sangue.

Muitos anos se passam e o jovem envelhece. Ele, que passou a vida toda carregando o peso daquela morte, ao ver seu fim chegando, volta para a beira daquele mesmo rio. Lá, onde Ka’a morrera, havia crescido um belo arbusto. Sentou-se em uma pedra ao lado daquela da planta e, enquanto meditava, agarrava algumas daquelas folhas e as levava à boca, mascando-as. As folhas, de algum modo, aliviaram o peso na alma do velho mbya  e ele, enfim, pode morrer em paz.

Conheça outras lendas:

 

 

 

A Lenda do Chajá

Por Rafael.

El chajá

O chajá é um pássaro conhecido no Brasil como tachã ou tarrã. Essa lenda é conhecida em toda área da chamada “mesopotâmia argentina”, ou seja, a grande planície alagada entre os rios Paraná e Uruguai. A contam desde a república uruguaia até o Paraguai, passando pelas províncias argentinas de Entre Rios e Corrientes. Pesquisando na internet, não vi menção sobre ela no Brasil.

A história fala que um dia, Jaci, a lua, desceu à terra para ver como andava se comportando a humanidade. Ela levou sua irmã menor Mbyja. As duas caminhavam e encontraram um grupo de lavadeiras à beira de um rio. Elas pareciam felizes, riam, jogavam água umas nas outras e brincavam.

As duas entidades divinas decidiram testar aquelas garotas e se aproximaram. Jaci disse que sua irmã pequena estava com muita sede e pediu um pouco de água para as garotas. Elas se trocaram olhares matreiros e uma delas agarrou uma cabaça que tinha ali perto e a encheu no rio, dando para Mbyja.

O problema é que não era água pura o que tinha na cabaça e quando a irmã de Jaci a levou à boca, percebeu que estava cheia de espuma de sabão. Jogou a cabaça no chão e as duas foram embora. As lavadeiras riram muito, se divertindo com a peça que pregaram. Quanto mais a menina chorava, mais elas gargalhavam.

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A Lenda do Muã (o vagalume)

Por Rafael.vagalumes

A lenda do Muã, vagalume em guarani, (em espanhol, luciérnaga) conta a história de uma feiticeira, chamada Bonichua, que se apaixonou por um lindo jovem, de nome Asukape.

A feiticeira, já bem adiantada em sua idade, não teria outra maneira de conquistar o amor do jovem que não fosse por suas bruxarias. Porém, Asukape usava um medalhão feito de uma pedra de itakaru (magnetita em guarani)que o protegia de feitiçarias. Além do mais, ele estava apaixonada por outra jovem, chamada Avatiky.

Um dia, por ciúmes, Bonichua encontra Avatiky na beira de um rio e a rapta. Em sua caverna, a bruxa corta a jovem em pedaços, com um machado. A fim de esconder as provas da sua atrocidade, ela coloca os restos de Avatiky em uma bolsa e vai até o topo de um morro para livrar-se deles.

Lá em cima, ela lança a bolsa no vazio e, logo que sai das suas mãos, algo estranho acontece. A bolsa se abre e, dela, partem centenas de pontos luminosos que esvoaçam ao redor da bruxa. Atrapalhada, ela quer agarrar as estranhas luzes, não pode deixar que descubram sobre o seu crime. Mas as luzes acendem e apagam, fugindo de Bonichua. Impossível alcançá-las. E, assim, ela não consegue esconder o seu flagrante.

Gostou dessa lenda? Conheça outras:

A lenda do Martim Pescador (El Jurunda

Paraguai, rio das coroas: A lenda de Irupê

A Lenda do Urutau

A lenda do Martim Pescador (El Jurunda)

Por Rafael.leyenda del jurunda, el martin pescador

Diferente das outras, esta lenda não envolve o amor entre dois jovens. O protagonista, aqui, é um menino imprudente.

Contam que dois garotos  pescavam em um rio. Um deles, mais audacioso, queria pescar onde as águas são mais perigosas. Não se contentava em ficar no mesmo lugar. Seu amigos o advertiram, mas não adiantou, para lá foi ele.

Não deu outra. O garoto escorregou e caiu nas águas turbulentas de um redemoinho, salvo apenas por um tronco. Os outros foram buscar ajuda. Quando a mãe do menino viu a situação dele, sem pensar, jogou-se nas águas para salvar seu filho. Porém ela engolida pelo rio.

Desesperado, o garoto olhou para o fundo das águas, de lá, dois olhos brilhantes o fitavam. Era o Yporã, a criatura dos rios. A entidade decidiu castigar o menino, que havia sido inconsequente e, pelos seus atos, levou sua mãe à morte. Como gostava de pescar e nadar, o menino virou pássaro, que sempre está na beira dos rios, atrás de um peixe. Hoje, esse pássaro é conhecido como Martim Pescador, ou El Jurunda.

Essa versão foi tirada do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

A Lenda do Urutau.

Por Rafael.

Essa é uma lenda paraguaia que é contada, de forma um pouco diferente, no Brasil. Também extraída do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.  Como não podia deixar de ser, trata de uma história de amor entre dois jovens, que termina tragicamente.

Uruti, a filha do grande chefe guarani, de nome Arakare, se apaixona por um jovem de uma tribo rival, chamado Jaguarainga. Nesse Romeu e Julieta guarani (ou Romeu e Julieta é que seriam o Uruti e Jaguarainga inglês?) o pai da moça a encontra junto com seu amado e decide levá-la ao pajé da tribo, que determina que Uruti deve permanecer casta pelo bem do seu povo, para que nenhuma maldição veia cair sobre eles.

Obviamente, os jovens mandam a determinação do pajé para os quintos do inferno e voltam a se encontrar. Quando o chefe Arakare consegue colocar a mão sobre Jaguarainga, este tem o seu trágico fim, com um golpe de tacape na cabeça e seu corpo desmembrado logo depois.

Uruti amaldiçoa seu pai e foge para a floresta para nunca mais ser vista, sua mãe, em solidariedade a filha vai atrás dela. O chefe Arakare termina seus dias sozinho e amargurado, sem nunca mais ver sua mulher e filha.

Hoje, dizem que o canto do urutau, uma ave noturna do conesul da América, é o lamento de Uruti que perdeu seu amado de forma tão brutal.

urutau

 

 

A lenda do Ñanduti – O bordado paraguaio.

Por Rafael.

ñanduti

Outra lenda do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay é a lenda do Ñanduti. Assim como a lenda do Karãu, é mais uma história que envolve uma mãe e um jovem apaixonado.

Resumindo. Ñandu Guasu, um jovem indígena, andava deprimido pelo amor não correspondido de outra jovem, chamada Sapuru. Ele sabia que se lhe desse um presente bonito o bastante, conquistaria o amor dela. Então, Ñandu Guasu, encontrou, pendurado em uma árvore, um lindo tecido tramado, que brilhava à luz do sol. Pensou que aquele seria um belo presente para Sapuru.

No entanto, ao agarrar o tecido, ele se desfez no ar. O jovem voltou para casa chorando, então sua mãe, querendo ajudar o filho, pediu para que a levasse para o lugar onde ele tinha visto o tecido. E lá estava ele novamente, com um novo tramado, lindo.

A mãe de Ñandu Guasu, uma velha senhora, pegou cada fio de seu cabelo grisalho e trançou um tecido tão bonito quanto aquele que ali estava e deu para o filho. Este, contente, levou o presente para Sapuru e se casou com ela.

Daí surgiu a tradição paraguaia de elaborar bonitos e complexos rendados, conhecidos como Ñanduti.