ÊXODO – Página 11

página de quadrinhos

A batalha tem início…

 

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ÊXODO – Página 10

Página de quadrinhos

Os bandeirantes são pegos de surpresa.

Nheçu: no corredor central (resenha)

Por Rafael.

nheçu

É bem conhecida, entre os habitantes do Rio Grande do Sul, a história do cacique Sepé Tiarajú, que liderou os guaranis na luta contra os impérios espanhol e português para defender os Sete Povos das Missões.

Uma figura menos popular é a do cacique Nheçu. Esse personagem perdido da história do Rio Grande do Sul foi poucas vezes retrato na bibliografia historiográfica ou literária, e quase sempre figurando como vilão. Uma destas raras obras é o livro Nheçu – no corredor central, do escritor Barbosa Lessa, publicado pela Editora do Brasil, em 1999.

Numa linguagem literária, um pouco voltada para o público juvenil, o livro traz o dia-a-dia dos habitantes de uma aldeia guarani próxima ao rio Uruguai, numa área conhecida como colina do Maçambará. Lá pelas tantas, chega na aldeia a notícia de que os “roupas-preta”, como são chamados os jesuítas, estão nas proximidades da aldeia. A notícia foi recebida com apreensão pelo povo. Temerosos, pois já tinham ouvido falar das histórias de escravidão que vinham logo depois da cristianização.

Nheçu foi um cacique que se opôs à influência cristã sobre os seu povo. Talvez por isso seja menos lembrado que Sepé Tiaraju, que era um guarani cristianizado. Em alguns livros, ele é colocado como responsável pela morte dos famosos “três mártires riograndenses”: os padres Roque Gonzales, Afonso Rodríguez e Juan de Castillo. Fundadores da redução de São Nicolau e outras. Mas, a história de Barbosa Lessa, o coloca como alguém que, ao mesmo tempo em que se opunha aos cristãos, respeitava muito a figura dos jesuítas, principalmente a do padre Roque Gonzales. Não tendo sido ele o fomentador da guerra que se travou entre os guaranis não-cristianizados e os outros, ainda que não tenha feito nada para evitá-la.

Com ilustrações de Fernando Merlo, a obra é uma boa referência inicial a esse personagem, contando também como uma forte pesquisa sobre o modo de vida original dos guaranis. Fica a dica.

O Despertar

Vinheta de quadrinhos

Página 2 de “Êxodo”! Aqui vemos nossa personagem despertando de um sonho. Ela passa o resto do tempo pensando no seu significado. Na cultura guarani, a leitura e interpretação dos sonhos é muito importante, influenciando na vida da comunidade e nas suas decisões, nos nomes das crianças, entre outras coisas. Acompanhe a página aqui.

Rio Taquari

Por Rafael.

rio taquari

Continuando nossa série sobre rios com nomes guarani, hoje falaremos um pouco sobre o rio Taquari, localizado no estado do Rio Grande do Sul.

Acredita-se, segundo algumas fontes, em duas origens para o nome do rio, as duas ligadas ao idioma guarani. Significaria, por um lado, “rio das taquaras” (Takuara + Y= rio ou água) e, por outro, pode querer dizer apenas “pequena taquara”, pois a párticula “i” no final das palavras serve como diminutivo na língua guarani. De qualquer modo, percebe-se que a palavra “taquara”, em português, é derivada diretamente de “takuara”, que significa bambu.

O rio Taquari tem sua nascente no município de Cambará do Sul, no extremo nordeste do Rio Grande do Sul. Aí, ainda tem o nome de Rio  das Antas. Vai se transformar em Taquari, de fato, 390 km depois, quando o seu curso chega próximo ao município de São Valentim do Sul, quando recebe as águas do arroio Carreiro. Então, o rio vai correr mais 140 km, desaguando em sua foz, no rio Jacuí. Ao todo, são 530 km.

Ao deixar as partes mais altas do estado (os campos de cima da serra) e começar a adentrar o que seria a Depressão Central do Rio Grande do Sul, o rio começa a correr em terreno mais suave, formando planícies aluviais muito férteis. Nessas áreas, foram encontrados resquícios de ocupação guarani.

Supõe-se, de acordo com estudos, que essa área do rio Taquari tenha começado a ser ocupado pelos guaranis no início da era cristã. Esse povo teria iniciado sua jornada desde a região amazônica ao sul, à mais de 2000 anos atrás. A porta de entrada desses grupos migrantes, para o que era o Rio Grande do Sul, teria sido o curso dos grandes rios encontrados por aqui. Teriam chegado através do rio Uruguai, daí então, se formaria um grande eixo de movimentação com o rio Ijuí e o Jacuí, por onde, então, teria atingido o rio Taquari e se instado nele.

Essa forma de expansão guarani se deu por suas características de povo agricultor, pois procurava as melhores terras para o cultivo de milho e mandioca, além de possuir grande aptidão para a navegação. Os guarani foram ocupando o Rio Grande do Sul, através desses grande e médios rios, até chegar às grandes lagoas e ao mar. As partes mais altas do planalto, eram dominadas por outro povo, os kaingang e xokleng. Os campos do sul eram território charrua e minuano.

Até a próxima.

Rio Caí.

Rio Gravataí.

Rio Jacuí.

Rio Jacuí

Por Rafael.

rio jacuí

Vamos começar uma série nova no blog, sobre importantes rios do sul do Brasil que se ligam, como você perceberá, à história e cultura do povo guarani. O primeiro será o grande e castigado rio Jacuí.

Numa rápida busca pela internet, encontramos o que é considerado o significado de Jacuí, rio dos Jacus, pássaro nativo do continente americano. O nome do rio deriva do guarani, yacuy ( yacu,a ave a que nos referimos antes, e y, água ou rio).

Desde sua nascente na região do planalto sul-riograndense, perto dos municípios de Passo Fundo e Marau, o rio Jacuí corre por 730 km, até desaguar no seu delta, no lago Guaíba, na capital do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Atualmente, toda a área de sua bacia é densamente utilizada pela agricultura e pecuária. Também, na sua parte mais alta, é aproveitado para a geração de energia elétrica, como no município de Salto do Jacuí. Outra forma de exploração do rio, essa ainda mais predatória, é a extração de areia do seu leito para a construção civil. Dessa forma, o rio Jacuí agoniza.

Mas nem sempre a relação humana com o rio foi essa. Nas suas margens, estudiosos já encontraram resquícios da ocupação guarani, povo que batizou o rio e tirou seu sustento de suas águas. Atualmente, existem alguns territórios guarani demarcados na bacia do rio Jacuí.

Rio Gravataí

Mas, para mim, a coisa mais curiosa sobre esse rio foi quando li o poema épico o Uraguai. Nele, Basílio da Gama, o autor, nos conta a guerra que envolveu os impérios espanhol e português, de um lado, e os guaranis missioneiros, de outro. Em um trecho do livro, o exército português acampa às margens do rio Jacuí, durante sua marcha até as missões. Profundos desconhecedores da geografia do nosso continente, os invasores não sabiam que era época de cheia e foram pegos desprevenidos pela inundação de seu acampamento. O autor relata que os europeus tiveram que passar dias em cima das árvores e, quando as águas desceram, foram obrigados a voltar para o lugar de onde vieram, adiando assim, o ataque aos guaranis.

Grande rio Jacuí, engolindo os canalhas!

Até a próxima.

 

A ameaça jesuítica! – O Uraguai, de Basílio da Gama.

jesuítas

Por Rafael.

Antes do advento do romance, a principal forma de narrativa circulante no mundo ocidental era o poema épico. Como exemplo, temos a Ilíada e a Odisseia, Os Lusíadas,  o Caramuru, entre outros. Neste post, e nos próximos, comentarei, brevemente, alguns aspectos de O Uraguai, poema épico lançado no ano de 1769, que narra a chamada guerra guaranítica, conflito que colocou os exércitos de Espanha e Portugal contra as reduções jesuítico-guaranis dos Sete Povos das Missões, instaladas, então, na margem oriental do rio Uruguai. Hoje, território do estado Rio Grande do Sul.

Vivenciamos, na atualidade, uma chamada “guerra de narrativas”. Aquelas discussões sobre “nazismo de esquerda”, sobre nunca ter havido ditadura no Brasil, sobre os portugueses não terem praticado a escravidão, sobre os próprios índios serem os destruidores do meio ambiente, etc. Ou seja, uma maneira de distorcer a História para que ela se esteja de acordo com determinada ideologia, determinada visão de mundo.

O Uraguai, escrito por Basílio da Gama, arrisco dizer, faz um pouco disso. Retratando, em seus versos, os jesuítas como ardilosos manipuladores dos inocentes guaranis. Estes, apenas pobres selvagens. Quanto a Gomes Freire, comandante das forças portuguesas, cabe o papel de valente general. Homem rigoroso, mas também sensível, que não sente  euforia por sua tarefa de exterminar milhares de pessoas. Outro elevado a condição de herói divino é o primeiro-ministro português, o Marquês de Pombal.

No século XVIII, a coroa portuguesa e a Cia. de Jesus não atravessavam um bom momento no seu relacionamento. Portugal vivia certos ares iluministas e o fim da ingerência da Igreja nos assuntos do Estado era conveniente, na época, para o Marquês, que não mantinha hábitos moralmente aceitos. Depois da realização do Tratado de Madrios jesuítas passaram a ser vistos como verdadeiros inimigos da Coroa portuguesa, acusados de estarem tramando um plano secreto para dominar o mundo. Lembrando muito a atualidade, com Olavo de Carvalho denunciando o chamado “Foro de São Paulo”, uma “conspiração comunista-bolivariana-gay-globalista internacional”.

Em um trecho do poema épico, no seu Canto Quinto, depois de invadirem São Miguel das Missões, Gomes Freire e seus homens adentram a catedral e admiram um afresco pintado na abóbada, assim Basílio da Gama relata:

Na vasta curva abóbeda pintara

  A destra mão de artífice famoso    

 Em breve espaço, e Vilas, e Cidades,

 E Províncias e Reinos. No alto sólio

   Estava dando leis ao mundo inteiro                                                                                                  A Companhia. (…)

A “companhia”, no caso, se refere a Cia. de Jesus, claro.

Assim é a História, escrita pelos vencedores.

Até a próxima.

Eva, a protagonista

EvaQuem acompanha a série YVY já conheceu Eva, a nossa protagonista. Eva é uma moça guarani que cresceu na redução, tendo uma educação cristã, sendo tutelada de perto pelo jesuíta responsável pela missão, o Padre Antônio. Decepcionada pelo envio obrigatório de seu amado para servir à coroa espanhola na guerra, ela deixa a vida na redução e se embrenha na mata para encontrar seu avô, o velho Moreyra, um velho feiticeiro que vive só na floresta.

O visual da personagem tenta representar essa ruptura com o mundo europeu, por isso, ela não usa o tradicional vestido de algodão cru, vestimenta comum nas reduções jesuítico-guaranis. Em lugar disso, ela usa uma saia de couro, também comum, mas que empresta uma aparência menos cristã à personagem. Os demais acessórios, braceletes e joelheiras vêm nesse mesmo intuito, dando um ar mais “capa e espada” à nossa protagonista. Por fim, a vincha usada pelos habitantes dos pampas para amarrar os cabelos ao cavalgar e as botas de garrão de potro nos pés, que, para a nossa Eva, ganharam um desenho diferente.

Vestimenta indígena missioneira.

Vestimenta missioneira                    Fonte: http://www.sohistoria.com.br/ilustrada/ateguaraniticas/p5.ph

Para fazer a conexão com a sua herança guarani, acrescentamos uma pintura no rosto, que, segunda uma amiga antropóloga, é a mesma usada pelas mulheres desse povo. Apesar de sua ruptura com o modo de vida europeu, ela ainda mantém uma ligação com o seu passado na redução. é o semi-crucifixo que ela carrega no pescoço. Acompanhe a série e você descobrirá porque falta um braço à cruz, também descobrirá a origem da espada que ela carrega, a Espada de Iansã.