Rio Jacuí

Por Rafael.

rio jacuí

Vamos começar uma série nova no blog, sobre importantes rios do sul do Brasil que se ligam, como você perceberá, à história e cultura do povo guarani. O primeiro será o grande e castigado rio Jacuí.

Numa rápida busca pela internet, encontramos o que é considerado o significado de Jacuí, rio dos Jacus, pássaro nativo do continente americano. O nome do rio deriva do guarani, yacuy ( yacu,a ave a que nos referimos antes, e y, água ou rio).

Desde sua nascente na região do planalto sul-riograndense, perto dos municípios de Passo Fundo e Marau, o rio Jacuí corre por 730 km, até desaguar no seu delta, no lago Guaíba, na capital do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Atualmente, toda a área de sua bacia é densamente utilizada pela agricultura e pecuária. Também, na sua parte mais alta, é aproveitado para a geração de energia elétrica, como no município de Salto do Jacuí. Outra forma de exploração do rio, essa ainda mais predatória, é a extração de areia do seu leito para a construção civil. Dessa forma, o rio Jacuí agoniza.

Mas nem sempre a relação humana com o rio foi essa. Nas suas margens, estudiosos já encontraram resquícios da ocupação guarani, povo que batizou o rio e tirou seu sustento de suas águas. Atualmente, existem alguns territórios guarani demarcados na bacia do rio Jacuí.

Mas, para mim, a coisa mais curiosa sobre esse rio foi quando li o poema épico o Uraguai. Nele, Basílio da Gama, o autor, nos conta a guerra que envolveu os impérios espanhol e português, de um lado, e os guaranis missioneiros, de outro. Em um trecho do livro, o exército português acampa às margens do rio Jacuí, durante sua marcha até as missões. Profundos desconhecedores da geografia do nosso continente, os invasores não sabiam que era época de cheia e foram pegos desprevenidos pela inundação de seu acampamento. O autor relata que os europeus tiveram que passar dias em cima das árvores e, quando as águas desceram, foram obrigados a voltar para o lugar de onde vieram, adiando assim, o ataque aos guaranis.

Grande rio Jacuí, engolindo os canalhas!

Até a próxima.

 

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A lenda do Ka’aguy Póra: O Caipora paraguaio

Por Rafael.

Ka'aguy poraNo folclore brasileiro é bem conhecida a lenda do Caipora, Caapora ou, também,  Curupira. Aquela criatura fantástica que habita as matas, protegendo os animais dos caçadores inescrupulosos.

Para minha surpresa, lendo o livro Leyendas y creencias populares del Paraguay, encontrei esta mesma história, porém, no Paraguai, essa criatura sobrenatural tem outro nome, é o  Ka’aguy Póra. Estas são duas palavras guarani, Ka’aguy, que significa mata ou bosque, e Póra, fantasma ou duende. Ou seja, o fantasma da mata. Podemos imaginar que a palavra Caapora, que conhecemos no Brasil, se origina desse mesmo idioma nativo americano.

O livro que consultei, mostra a história de três homens que, bêbados, entram na mata para disputar quem era o mais valente, quem caçaria o maior animal. Sendo este, um motivo torpe para se matar qualquer ser vivo da floresta, o Ka’aguy Póra, lança a sua fúria contra eles. Nessa versão, o Ka’aguy Póra é diferente do nosso Caapora. Ele não tem pés virados,  nem monta um porco do mato. Tem, sim, apenas um olho na cabeça, uma crina, e um cachimbo feito com um crânio humano. Além disso, ele possui cerca de cinco metros de altura. Não seria, então, um duende, está mais para um gigante.

Parece que, no folclore, temos um ponto de união entre Brasil e Paraguai. Não haveria mais pontos como esse? E em relação a outros países do continente? Quem sabe não seríamos mais próximos do que pensamos?

A Lenda do Chajá

Por Rafael.

El chajá

O chajá é um pássaro conhecido no Brasil como tachã ou tarrã. Essa lenda é conhecida em toda área da chamada “mesopotâmia argentina”, ou seja, a grande planície alagada entre os rios Paraná e Uruguai. A contam desde a república uruguaia até o Paraguai, passando pelas províncias argentinas de Entre Rios e Corrientes. Pesquisando na internet, não vi menção sobre ela no Brasil.

A história fala que um dia, Jaci, a lua, desceu à terra para ver como andava se comportando a humanidade. Ela levou sua irmã menor Mbyja. As duas caminhavam e encontraram um grupo de lavadeiras à beira de um rio. Elas pareciam felizes, riam, jogavam água umas nas outras e brincavam.

As duas entidades divinas decidiram testar aquelas garotas e se aproximaram. Jaci disse que sua irmã pequena estava com muita sede e pediu um pouco de água para as garotas. Elas se trocaram olhares matreiros e uma delas agarrou uma cabaça que tinha ali perto e a encheu no rio, dando para Mbyja.

O problema é que não era água pura o que tinha na cabaça e quando a irmã de Jaci a levou à boca, percebeu que estava cheia de espuma de sabão. Jogou a cabaça no chão e as duas foram embora. As lavadeiras riram muito, se divertindo com a peça que pregaram. Quanto mais a menina chorava, mais elas gargalhavam.

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A lenda do Martim Pescador (El Jurunda)

Por Rafael.leyenda del jurunda, el martin pescador

Diferente das outras, esta lenda não envolve o amor entre dois jovens. O protagonista, aqui, é um menino imprudente.

Contam que dois garotos  pescavam em um rio. Um deles, mais audacioso, queria pescar onde as águas são mais perigosas. Não se contentava em ficar no mesmo lugar. Seu amigos o advertiram, mas não adiantou, para lá foi ele.

Não deu outra. O garoto escorregou e caiu nas águas turbulentas de um redemoinho, salvo apenas por um tronco. Os outros foram buscar ajuda. Quando a mãe do menino viu a situação dele, sem pensar, jogou-se nas águas para salvar seu filho. Porém ela engolida pelo rio.

Desesperado, o garoto olhou para o fundo das águas, de lá, dois olhos brilhantes o fitavam. Era o Yporã, a criatura dos rios. A entidade decidiu castigar o menino, que havia sido inconsequente e, pelos seus atos, levou sua mãe à morte. Como gostava de pescar e nadar, o menino virou pássaro, que sempre está na beira dos rios, atrás de um peixe. Hoje, esse pássaro é conhecido como Martim Pescador, ou El Jurunda.

Essa versão foi tirada do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Paraguai, rio das coroas: A lenda de Irupê

Por Rafael.IrupêMuito parecida com a lenda amazônica da Vitória Régia, é a lenda do Irupê, ou Irupe. Esta também conta com uma garota que se joga na água. Porém, diferentemente da primeira, ela não está em busca de algo, e, sim, fugindo de algo.

Conta a lenda que a jovem Irupê participava de uma festa em sua aldeia. O problema é que ela teve o azar de cair nas graças de um bêbado muito chato, de nome Chiru, que se apaixonou por ela.

Chiru a atormentou a noite inteira, até que Irupê decidiu sair da festa. Porém, o inconveniente ébrio a perseguiu mata adentro. Depois de muito fugir, Irupê chegou à beirada de um rochedo bem alto próximo a um rio. Era o fim da linha para ela.

Decidida a não ficar com aquele estrupício bêbado, a jovem salta e caiu nas águas profundas do rio. Chiru, um chato pegajoso, não desiste e segue Irupê, mergulhando na agitada correnteza. Ao fim, ambos terminados suas vidas se afogando.

Tupã, o grande Deus, observava toda a cena e decidiu premiar a jovem Irupê, a transformando em um bela flor avermelhada, em forma de coroa, que flutua pelo rio.

O rio em que Irupê se afogou passou a se chamar rio Paraguai, que significa, rio das coroas.

Essa versão da lenda você pode encontrar no livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Lenda da Guavira

Por Rafael.

guavira

A guavira ou guabiroba é uma fruta nativa do continente sul-americano. Sobre ela, há uma lenda no Paraguai. Esta versão foi extraída do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Nos tempos da colonização, houve um embate entre uma tribo indígena e colonizadores. O confronto terminou positivamente para os índios, que levaram um dos soldados para a aldeia como prisioneiro. Ninguém esperava, mas o prisioneiro branco caiu nas graças de Apykasu,  a filha do grande chefe Jaguati.

A jovem índia conseguiu convencer seu pai a deixá-la ficar com o europeu, o problema foi convencer o rapaz disso, pois ele já havia jurado seu amor a outra mulher que estava lá na Europa.

Depois de tantas investidas e negativas, a moça foi falar com a feiticeira da tribo. Esta lhe receitou um remedinho que foi tiro e queda. Apykasu só tinha que levar o rapaz até um monte onde havia um pé de guavira e fazê-lo comer uma das frutinhas. Ele cairia de amores por ela, no ato.

Não deu outra, Apykasu e o branquelo passaram a vida juntos e tiveram muitos filhos. E, assim, termina mais uma das curiosas lendas paraguaias.

A Lenda do Urutau.

Por Rafael.

Essa é uma lenda paraguaia que é contada, de forma um pouco diferente, no Brasil. Também extraída do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.  Como não podia deixar de ser, trata de uma história de amor entre dois jovens, que termina tragicamente.

Uruti, a filha do grande chefe guarani, de nome Arakare, se apaixona por um jovem de uma tribo rival, chamado Jaguarainga. Nesse Romeu e Julieta guarani (ou Romeu e Julieta é que seriam o Uruti e Jaguarainga inglês?) o pai da moça a encontra junto com seu amado e decide levá-la ao pajé da tribo, que determina que Uruti deve permanecer casta pelo bem do seu povo, para que nenhuma maldição veia cair sobre eles.

Obviamente, os jovens mandam a determinação do pajé para os quintos do inferno e voltam a se encontrar. Quando o chefe Arakare consegue colocar a mão sobre Jaguarainga, este tem o seu trágico fim, com um golpe de tacape na cabeça e seu corpo desmembrado logo depois.

Uruti amaldiçoa seu pai e foge para a floresta para nunca mais ser vista, sua mãe, em solidariedade a filha vai atrás dela. O chefe Arakare termina seus dias sozinho e amargurado, sem nunca mais ver sua mulher e filha.

Hoje, dizem que o canto do urutau, uma ave noturna do conesul da América, é o lamento de Uruti que perdeu seu amado de forma tão brutal.

urutau