ÊXODO – Página 9

página de quadrinhos

Eva lembra de coisas de seu passado.

Rio Ijuí

Por Rafael.

rio ijuí

E vamos para mais um rio guarani. Desta vez, o rio Ijuí, cuja antiga grafia se dava como Yjuhy. Algumas fontes na internet colocam seu significado como “rio das águas claras”, outros como “rio das águas sagradas”. É difícil dizer. No dicionário Guarani-Espanhol, de Natalia Krivoshein de Canese e Feliciano Acosta Alcaraz, encontramos a palavra ju, que pode significar “amarelo”. O que nos reportaria a “rio das águas amarelas”: Y=rio ou água, Ju=amarelo, Y=rio ou água. Mas isso é só especulação. O que importa é que esse majestoso rio, que nasce próximo ao município de Santo Augusto, em meio ao planalto sul-rio grandense, abastece uma população de cerca de 342 mil pessoas antes de atingir sua foz no rio Uruguai, oeste do Rio Grande do Sul.

Foi no vale do rio Ijuí que se levantaram dois dos chamados Sete Povos das Missões. As reduções jesuítico-guaranis do Rio Grande do Sul, São Nicolau e Santo Ângelo. A primeira, fundada pessoalmente pelo famoso padre paraguaio, Roque Gonzales. O “mártir das missões”, morto por guaranis não cristianizados, cujo líder era o cacique Nheçu. Essa história vai render uma postagem específica, estou só juntando material para isso.

Siga acompanhando as histórias dos rios gaúchos no nosso blog. Até a próxima!

Conheça outros rios: Rio Taquari, Rio Caí, Rio Gravataí, Rio Jacuí.

Rio Taquari

Por Rafael.

rio taquari

Continuando nossa série sobre rios com nomes guarani, hoje falaremos um pouco sobre o rio Taquari, localizado no estado do Rio Grande do Sul.

Acredita-se, segundo algumas fontes, em duas origens para o nome do rio, as duas ligadas ao idioma guarani. Significaria, por um lado, “rio das taquaras” (Takuara + Y= rio ou água) e, por outro, pode querer dizer apenas “pequena taquara”, pois a párticula “i” no final das palavras serve como diminutivo na língua guarani. De qualquer modo, percebe-se que a palavra “taquara”, em português, é derivada diretamente de “takuara”, que significa bambu.

O rio Taquari tem sua nascente no município de Cambará do Sul, no extremo nordeste do Rio Grande do Sul. Aí, ainda tem o nome de Rio  das Antas. Vai se transformar em Taquari, de fato, 390 km depois, quando o seu curso chega próximo ao município de São Valentim do Sul, quando recebe as águas do arroio Carreiro. Então, o rio vai correr mais 140 km, desaguando em sua foz, no rio Jacuí. Ao todo, são 530 km.

Ao deixar as partes mais altas do estado (os campos de cima da serra) e começar a adentrar o que seria a Depressão Central do Rio Grande do Sul, o rio começa a correr em terreno mais suave, formando planícies aluviais muito férteis. Nessas áreas, foram encontrados resquícios de ocupação guarani.

Supõe-se, de acordo com estudos, que essa área do rio Taquari tenha começado a ser ocupado pelos guaranis no início da era cristã. Esse povo teria iniciado sua jornada desde a região amazônica ao sul, à mais de 2000 anos atrás. A porta de entrada desses grupos migrantes, para o que era o Rio Grande do Sul, teria sido o curso dos grandes rios encontrados por aqui. Teriam chegado através do rio Uruguai, daí então, se formaria um grande eixo de movimentação com o rio Ijuí e o Jacuí, por onde, então, teria atingido o rio Taquari e se instado nele.

Essa forma de expansão guarani se deu por suas características de povo agricultor, pois procurava as melhores terras para o cultivo de milho e mandioca, além de possuir grande aptidão para a navegação. Os guarani foram ocupando o Rio Grande do Sul, através desses grande e médios rios, até chegar às grandes lagoas e ao mar. As partes mais altas do planalto, eram dominadas por outro povo, os kaingang e xokleng. Os campos do sul eram território charrua e minuano.

Até a próxima.

Rio Caí.

Rio Gravataí.

Rio Jacuí.

Rio Caí

Por Rafael.

rio caí

Segundo algumas fontes, a palavra Caí, que denomina esse importante rio gaúcho, vem do guarani, Ka’a (Mata) e Y (rio). Ou seja, rio da mata, ou rio da floresta. Ainda que tenha essa suposta origem guarani no nome, esse rio, que está entre os mais poluídos do Brasil, tem uma forte ligação com outro povo indígena do sul do Brasil, o povo kaingang. Isso porque sua nascente se encontra no antigo território de domínio desse povo do tronco linguístico macro-jê, o planalto sul-rio grandense.

Rio Gravataí

Nascendo no município de São Francisco de Paula, ele percorre cerca de 250 km até desaguar no lago Guaíba, em Porto Alegre. Nesse caminho, ele recebe pesadas cargas de esgoto sem tratamento e de agrotóxico, das lavouras em locais de preservação ambiental. Mas, antes do rio receber esse tratamento agressivo, foi no seu vale que chegaram os primeiros colonos alemães, no início do século XIX. Inciando-se, assim, um duradouro conflito entre kaingangs e o projeto colonial, que durou até o final desse mesmo século.

Rio Jacuí

Esse conflito gerou muitas histórias, uma delas é a história do chamado Luis Bugre, um kaingang criado entre os colonos alemães, que será protagonista daquilo que ficou conhecido como a tragédia da família Versteg, uma família de imigrantes alemães que foi sequestrada por kaingangs, em meados do século XIX. Essa história é muito interessante e merece ser pesquisada.

Deixo, com vocês, algumas referências.

De Coroados a Kaingangs (dissertação de mestrado)

As Vítimas do Bugre.

http://www.betaredacao.com.br/rio-cai-pode-morrer-em-uma-decada/

http://historiasvalecai.blogspot.com/2011/11/1260-rio-cai-nascentes-e-curso-superior.html

Rio Jacuí

Por Rafael.

rio jacuí

Vamos começar uma série nova no blog, sobre importantes rios do sul do Brasil que se ligam, como você perceberá, à história e cultura do povo guarani. O primeiro será o grande e castigado rio Jacuí.

Numa rápida busca pela internet, encontramos o que é considerado o significado de Jacuí, rio dos Jacus, pássaro nativo do continente americano. O nome do rio deriva do guarani, yacuy ( yacu,a ave a que nos referimos antes, e y, água ou rio).

Desde sua nascente na região do planalto sul-riograndense, perto dos municípios de Passo Fundo e Marau, o rio Jacuí corre por 730 km, até desaguar no seu delta, no lago Guaíba, na capital do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Atualmente, toda a área de sua bacia é densamente utilizada pela agricultura e pecuária. Também, na sua parte mais alta, é aproveitado para a geração de energia elétrica, como no município de Salto do Jacuí. Outra forma de exploração do rio, essa ainda mais predatória, é a extração de areia do seu leito para a construção civil. Dessa forma, o rio Jacuí agoniza.

Mas nem sempre a relação humana com o rio foi essa. Nas suas margens, estudiosos já encontraram resquícios da ocupação guarani, povo que batizou o rio e tirou seu sustento de suas águas. Atualmente, existem alguns territórios guarani demarcados na bacia do rio Jacuí.

Rio Gravataí

Mas, para mim, a coisa mais curiosa sobre esse rio foi quando li o poema épico o Uraguai. Nele, Basílio da Gama, o autor, nos conta a guerra que envolveu os impérios espanhol e português, de um lado, e os guaranis missioneiros, de outro. Em um trecho do livro, o exército português acampa às margens do rio Jacuí, durante sua marcha até as missões. Profundos desconhecedores da geografia do nosso continente, os invasores não sabiam que era época de cheia e foram pegos desprevenidos pela inundação de seu acampamento. O autor relata que os europeus tiveram que passar dias em cima das árvores e, quando as águas desceram, foram obrigados a voltar para o lugar de onde vieram, adiando assim, o ataque aos guaranis.

Grande rio Jacuí, engolindo os canalhas!

Até a próxima.

 

A lenda do Ka’aguy Póra: O Caipora paraguaio

Por Rafael.

Ka'aguy poraNo folclore brasileiro é bem conhecida a lenda do Caipora, Caapora ou, também,  Curupira. Aquela criatura fantástica que habita as matas, protegendo os animais dos caçadores inescrupulosos.

Para minha surpresa, lendo o livro Leyendas y creencias populares del Paraguay, encontrei esta mesma história, porém, no Paraguai, essa criatura sobrenatural tem outro nome, é o  Ka’aguy Póra. Estas são duas palavras guarani, Ka’aguy, que significa mata ou bosque, e Póra, fantasma ou duende. Ou seja, o fantasma da mata. Podemos imaginar que a palavra Caapora, que conhecemos no Brasil, se origina desse mesmo idioma nativo americano.

O livro que consultei, mostra a história de três homens que, bêbados, entram na mata para disputar quem era o mais valente, quem caçaria o maior animal. Sendo este, um motivo torpe para se matar qualquer ser vivo da floresta, o Ka’aguy Póra, lança a sua fúria contra eles. Nessa versão, o Ka’aguy Póra é diferente do nosso Caapora. Ele não tem pés virados,  nem monta um porco do mato. Tem, sim, apenas um olho na cabeça, uma crina, e um cachimbo feito com um crânio humano. Além disso, ele possui cerca de cinco metros de altura. Não seria, então, um duende, está mais para um gigante.

Parece que, no folclore, temos um ponto de união entre Brasil e Paraguai. Não haveria mais pontos como esse? E em relação a outros países do continente? Quem sabe não seríamos mais próximos do que pensamos?

A Lenda do Chajá

Por Rafael.

El chajá

O chajá é um pássaro conhecido no Brasil como tachã ou tarrã. Essa lenda é conhecida em toda área da chamada “mesopotâmia argentina”, ou seja, a grande planície alagada entre os rios Paraná e Uruguai. A contam desde a república uruguaia até o Paraguai, passando pelas províncias argentinas de Entre Rios e Corrientes. Pesquisando na internet, não vi menção sobre ela no Brasil.

A história fala que um dia, Jaci, a lua, desceu à terra para ver como andava se comportando a humanidade. Ela levou sua irmã menor Mbyja. As duas caminhavam e encontraram um grupo de lavadeiras à beira de um rio. Elas pareciam felizes, riam, jogavam água umas nas outras e brincavam.

As duas entidades divinas decidiram testar aquelas garotas e se aproximaram. Jaci disse que sua irmã pequena estava com muita sede e pediu um pouco de água para as garotas. Elas se trocaram olhares matreiros e uma delas agarrou uma cabaça que tinha ali perto e a encheu no rio, dando para Mbyja.

O problema é que não era água pura o que tinha na cabaça e quando a irmã de Jaci a levou à boca, percebeu que estava cheia de espuma de sabão. Jogou a cabaça no chão e as duas foram embora. As lavadeiras riram muito, se divertindo com a peça que pregaram. Quanto mais a menina chorava, mais elas gargalhavam.

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A lenda do Martim Pescador (El Jurunda)

Por Rafael.leyenda del jurunda, el martin pescador

Diferente das outras, esta lenda não envolve o amor entre dois jovens. O protagonista, aqui, é um menino imprudente.

Contam que dois garotos  pescavam em um rio. Um deles, mais audacioso, queria pescar onde as águas são mais perigosas. Não se contentava em ficar no mesmo lugar. Seu amigos o advertiram, mas não adiantou, para lá foi ele.

Não deu outra. O garoto escorregou e caiu nas águas turbulentas de um redemoinho, salvo apenas por um tronco. Os outros foram buscar ajuda. Quando a mãe do menino viu a situação dele, sem pensar, jogou-se nas águas para salvar seu filho. Porém ela engolida pelo rio.

Desesperado, o garoto olhou para o fundo das águas, de lá, dois olhos brilhantes o fitavam. Era o Yporã, a criatura dos rios. A entidade decidiu castigar o menino, que havia sido inconsequente e, pelos seus atos, levou sua mãe à morte. Como gostava de pescar e nadar, o menino virou pássaro, que sempre está na beira dos rios, atrás de um peixe. Hoje, esse pássaro é conhecido como Martim Pescador, ou El Jurunda.

Essa versão foi tirada do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Paraguai, rio das coroas: A lenda de Irupê

Por Rafael.IrupêMuito parecida com a lenda amazônica da Vitória Régia, é a lenda do Irupê, ou Irupe. Esta também conta com uma garota que se joga na água. Porém, diferentemente da primeira, ela não está em busca de algo, e, sim, fugindo de algo.

Conta a lenda que a jovem Irupê participava de uma festa em sua aldeia. O problema é que ela teve o azar de cair nas graças de um bêbado muito chato, de nome Chiru, que se apaixonou por ela.

Chiru a atormentou a noite inteira, até que Irupê decidiu sair da festa. Porém, o inconveniente ébrio a perseguiu mata adentro. Depois de muito fugir, Irupê chegou à beirada de um rochedo bem alto próximo a um rio. Era o fim da linha para ela.

Decidida a não ficar com aquele estrupício bêbado, a jovem salta e caiu nas águas profundas do rio. Chiru, um chato pegajoso, não desiste e segue Irupê, mergulhando na agitada correnteza. Ao fim, ambos terminados suas vidas se afogando.

Tupã, o grande Deus, observava toda a cena e decidiu premiar a jovem Irupê, a transformando em um bela flor avermelhada, em forma de coroa, que flutua pelo rio.

O rio em que Irupê se afogou passou a se chamar rio Paraguai, que significa, rio das coroas.

Essa versão da lenda você pode encontrar no livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.