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Lenda da Guavira

Por Rafael.

guavira

A guavira ou guabiroba é uma fruta nativa do continente sul-americano. Sobre ela, há uma lenda no Paraguai. Esta versão foi extraída do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Nos tempos da colonização, houve um embate entre uma tribo indígena e colonizadores. O confronto terminou positivamente para os índios, que levaram um dos soldados para a aldeia como prisioneiro. Ninguém esperava, mas o prisioneiro branco caiu nas graças de Apykasu,  a filha do grande chefe Jaguati.

A jovem índia conseguiu convencer seu pai a deixá-la ficar com o europeu, o problema foi convencer o rapaz disso, pois ele já havia jurado seu amor a outra mulher que estava lá na Europa.

Depois de tantas investidas e negativas, a moça foi falar com a feiticeira da tribo. Esta lhe receitou um remedinho que foi tiro e queda. Apykasu só tinha que levar o rapaz até um monte onde havia um pé de guavira e fazê-lo comer uma das frutinhas. Ele cairia de amores por ela, no ato.

Não deu outra, Apykasu e o branquelo passaram a vida juntos e tiveram muitos filhos. E, assim, termina mais uma das curiosas lendas paraguaias.

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Personagens

No próximo episódio de YVY, teremos a aparição de um novo personagem. Você vai conhecer o Padre Paulo. Um jesuíta do Japão que foi parar em terras sul-americanas. Que perigos aguardam por ele? Fique atento.

Eis o personagem no traço de Ricardo Fonseca.

padre paulo

Conheça os outros personagens: Odara, Padre Juan Diego, Padre Antônio, Eva.

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A Lenda do Urutau.

Por Rafael.

Essa é uma lenda paraguaia que é contada, de forma um pouco diferente, no Brasil. Também extraída do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.  Como não podia deixar de ser, trata de uma história de amor entre dois jovens, que termina tragicamente.

Uruti, a filha do grande chefe guarani, de nome Arakare, se apaixona por um jovem de uma tribo rival, chamado Jaguarainga. Nesse Romeu e Julieta guarani (ou Romeu e Julieta é que seriam o Uruti e Jaguarainga inglês?) o pai da moça a encontra junto com seu amado e decide levá-la ao pajé da tribo, que determina que Uruti deve permanecer casta pelo bem do seu povo, para que nenhuma maldição veia cair sobre eles.

Obviamente, os jovens mandam a determinação do pajé para os quintos do inferno e voltam a se encontrar. Quando o chefe Arakare consegue colocar a mão sobre Jaguarainga, este tem o seu trágico fim, com um golpe de tacape na cabeça e seu corpo desmembrado logo depois.

Uruti amaldiçoa seu pai e foge para a floresta para nunca mais ser vista, sua mãe, em solidariedade a filha vai atrás dela. O chefe Arakare termina seus dias sozinho e amargurado, sem nunca mais ver sua mulher e filha.

Hoje, dizem que o canto do urutau, uma ave noturna do conesul da América, é o lamento de Uruti que perdeu seu amado de forma tão brutal.

urutau

 

 

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A Lenda da Erva-Marte.

Por Rafael.

ca'a iary

Ainda que eu seja gaúcho, e more no Rio Grande do Sul, tomando chimarrão desde criança, não conhecia a lenda da erva-mate. Mais uma do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Os trabalhadores da erva-mate, que no Paraguai são conhecidos como “mineros”, acreditam na lenda de Ka’a Iary ou Ca’a Iary. Ela diz que, se você deixar um bilhete para o espírito de Ka’a Iary entre as folhas da árvore de erva-marte e aparecer nesse local à noite, você encontrará com ele. Porém, o espírito não aparece assim tão facilmente, primeiro há um teste. Você deve encarar o ataque de uma onça e de outros animais selvagens, sem se assustar. Se correr, será morto. Se permanecer de sangue frio, sem medo, os animais não se importarão com você, então, o espírito aparecerá e lhe proporá um trato.

Na versão que li, se tratava de um espírito feminino, então, ele exigirá fidelidade de você, que não poderá ficar nunca mais com outra mulher. Nessa versão, não explicava se uma mulher poderia invocar o espírito, não sei como isso ficaria.

Se cumprir essa simples exigência, o espírito o ajudará para sempre, colhendo as folhas da erva-mate por você, fazendo peso na balança para que ganhe mais, enfim. Se você for um trabalhador da erva-mate, só há vantagens em se fazer o trato com o espírito de Ka’a Iary,

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A lenda do Ñanduti – O bordado paraguaio.

Por Rafael.

ñanduti

Outra lenda do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay é a lenda do Ñanduti. Assim como a lenda do Karãu, é mais uma história que envolve uma mãe e um jovem apaixonado.

Resumindo. Ñandu Guasu, um jovem indígena, andava deprimido pelo amor não correspondido de outra jovem, chamada Sapuru. Ele sabia que se lhe desse um presente bonito o bastante, conquistaria o amor dela. Então, Ñandu Guasu, encontrou, pendurado em uma árvore, um lindo tecido tramado, que brilhava à luz do sol. Pensou que aquele seria um belo presente para Sapuru.

No entanto, ao agarrar o tecido, ele se desfez no ar. O jovem voltou para casa chorando, então sua mãe, querendo ajudar o filho, pediu para que a levasse para o lugar onde ele tinha visto o tecido. E lá estava ele novamente, com um novo tramado, lindo.

A mãe de Ñandu Guasu, uma velha senhora, pegou cada fio de seu cabelo grisalho e trançou um tecido tão bonito quanto aquele que ali estava e deu para o filho. Este, contente, levou o presente para Sapuru e se casou com ela.

Daí surgiu a tradição paraguaia de elaborar bonitos e complexos rendados, conhecidos como Ñanduti.

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Lendas Paraguaias – El Caráu

Conhecido no Brasil como carão, e na América hispânica como caráu (em guarani, karãu), essa ave aquática habita os brejos e banhados do conesul. No Paraguai, e em áreas das províncias argentinas de Missiones e Corrientes, se conta a lenda do Carão, ou a leyenda del Karãu ou Caráu.

Segundo essa lenda, o carão era um jovem guarani que saiu para buscar remédio para sua velha mãezinha que estava muito doente, prestes a morrer. Acontece que o jovem encontrou uma festa no caminho e parou para ver o que estava acontecendo. Durante a festa, conheceu uma garota e se encantou por ela.

O jovem índio só queria saber da garota e esqueceu o remédio de sua mãezinha, que acabou morrendo. O problema é que ele entrou em um banhado, atrás daquela linda garota que conheceu na festa, e se perdeu, no meio da neblina. Hoje, o carão vive pelos pântanos chorando a perda de sua mãezinha.

Existem várias versões dessa lenda, a que contei, de forma resumida, se baseia no livro de Jorge Montesino, Leyendas y creencias populares del Paraguay. Caráu o Carão Continuar lendo

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Lendas do Paraguai

Por Rafael.

Na minha rápida visita ao Paraguai no último verão, trouxe este livro muito interessante, Leyendas y Creencias Populares del Paraguay, organizado pelo autor Jorge Montesino.

Como o título sugere, traz diversas histórias da mitologia que envolve a cultura paraguaia, como a lenda do milho, da mandioca, erva-mate, entre outras. Veremos quanta similaridade existe entre os povos paraguaio e brasileiro.

Começarei esta semana a falar das histórias deste livro aqui no blog, aguardem!lendas do paraguai

Confira algumas lendas:

A lenda do muembe.

Lenda da erva-mate.

A lenda da mandioca.

A lenda do milho.

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Tatu-Guaçu

Por Rafael.

Um personagem que me chamou a atenção no poema épico O Uraguai, que tratei em outro post, foi Tatu-Guaçu. Era um cacique guarani que lutou ao lado de Sepé Tiarajú
contra as forças conjuntas de Portugal e Espanha. Basílio da Gama o retrata como um poderoso guerreiro, que usava uma couraça de pele de jacaré nas batalhas.

Não sei se Tatu-Guaçu é um personagem fictício, criado por Basílio da Gama, ou se existiu de fato, não achei menção a ele em nenhum outro livro, ainda que minha pesquisa não tenha sido tão aprofundada.

De qualquer maneira, gostei dele e desenhei minha versão do Tatu-Guaçu para vocês apreciarem. Uma hora, descobrirei mais sobre ele.

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A Cor.

Por Rafael.

A Cor capa

Na última postagem, tratei de um trabalho paralelo à YVY em que estou envolvido. Hoje, trago o trabalho paralelo de Ricardo Fonseca, responsável pelos desenhos dos episódios 2 e 3, este último ainda não foi ao ar. Trata-se do livro A Cor, com roteiro e desenhos do Ricardo e com o tratamento digital de Dreyfus Soler nos tons de cinza, luzes e demais efeitos.

A história se baseia em um conto do cultuado escritor H.P. Lovecraft, chamado A Cor que veio do Espaço. Na Versão de Ricardo e Dreyfus, um meteoro atinge a terra e libera uma criatura que emana uma cor não existente na Terra. As pessoas sob a influência dessa cor apresentam um comportamento estranho e o mistério vai sendo desvendado por um advogado que investiga os impactos gerados pela construção de uma barragem em uma pequena cidade do interior dos EUA.

Podemos ver que a história se relaciona bem com nosso contexto atual, em que barragens ameaçam a vida de milhares de pessoas, ainda que Ricardo tenha começado a escrevê-la em 2014.

tira de quadrinhos

O livro foi lançado no último sábado, 16 de outubro, e essa primeira tiragem traz uma novidade interessante e que deu muito trabalho aos autores. As cores da criatura espacial foram pintadas à mão por Ricardo e Dreyfus, em cada exemplar, o que dá um toque único à cada livro. Mais informações no site da dupla. Não deixe de conhecer esse projeto.

Obrigado!

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Quadrinhos Argentino-Brasileiros.

Por Rafael.

infierno grande

Hoje, gostaria de divulgar um projeto em que estou envolvido. Diferentemente de YVY, onde também sou roteirista, neste outro, minha função é só de desenhista. Me refiro à webcomic Infierno Grande.  Trata-se de uma história em quadrinhos de suspense/terror, escrita pelo roteirista Guido Barsi.

A história é inspirada em uma lenda do folclore argentino conhecida como El Familiar. Poderíamos dizer que é um tipo de lobisomem. Estou muito honrado de fazer parte desse esforço transfronteiriço e latino-americano para trazer à tona uma história tão peculiar.

Guido é um roteirista e editor envolvido em muitos projetos, você pode conhecê-los no site da sua editora Pi Ediciones.

Para ler Infierno Grande você pode clicar aqui, já encontra-se lá três capítulos da história, prevista para cinco capítulos.

Apoie o quadrinho latino-americano!