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Lenda do sapo (kururu)

Por Rafael.

sapo cururu

Kururu, ou cururu, é a palavra guarani para sapo. No Brasil, existe uma espécie conhecida como sapo-cururu. Por que só essa espécie de sapo é chamada de cururu? Não  sei. Mas existe uma lenda guarani da criação do sapo. Vamos conhecê-la.

Lendas do Paraguai.

Diz a lenda que, no início da criação do mundo,  Tupã estava na beira de um rio, de onde ele tirava a argila com a qual moldava os animais que iriam habitar o mundo. O grande pai criador, manipulava a argila e, depois, a soprava, lançando ao mundo belos animais. Anhá, o diabo, escondido, observava e invejava a beleza daquelas criações.

Então, depois de Tupã criar o animal mais lindo de todos, o mainumby, ou beija-flor, ele foi descansar. Anhá aproveitou a oportunidade e, roxo de inveja, foi para o rio, agarrou um pouco de argila, moldou alguma coisa e soprou.

A lenda da erva-mate.

A lenda do urutau.

A criatura que saiu dali, era tão feia e deformada que, com vergonha dela mesmo, foi viver escondida no escuro, onde ninguém a veja. O Anhá, um ser do mal, não poderia haver criado nada belo. Da sua criação, havia nascido o kururu, ou sapo.

Pobre sapo, um bichinho tão simpático, uma cria do demo. Igual, sigo gostando deles.

Até a próxima.

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Guerras do Brasil

Por Rafael.

guerras do brasil

Desde o dia 3 de junho, está disponível no catálogo da Netflix, o documentário Guerras do Brasil. Dirigido por Luis Bolognesi, a obra é composta de cinco episódios, apresentando diferentes conflitos, históricos e atuais, que afligiram e afligem o Brasil. Um dos principais méritos do documentário está em problematizar uma daquelas máximas que, vez ou outra, escutamos, a de que o brasileiro é um povo “pacífico”.

O Brasil é uma produção, ou uma invenção, como diz, no primeiro episódio, o historiador Ailton Krenak. Uma invenção construída em cima do sangue de milhões de pessoas, pertencentes às centenas de povos que habitavam essas terras antes da chegada dos europeus. Esse foi o processo de colonização.

a guerra de conquista

Nesse primeiro episódio, intitulado A Guerra de Conquista, vemos, através das falas de historiadores e estudiosos, como Ailton Krenak, Carlos Fausto, Sonia Guajajara, entre outros,  como o processo de colonização, iniciado em 1530 pelos portugueses, levou a uma guerra que dura, de certo modo, até os dias de hoje.

Os primeiros povos a ter contato com os europeus foram os tupiniquins e tupinambás, que viviam nas áreas costeiras ao oceano Atlântico. Para se apossarem do território desses povos, uma das estratégias usadas pelos europeus, foi manipular as rivalidades existentes entre eles, assim, enfraquecidos, foi mais fácil dizimá-los. A consciência de que estavam sendo manipulados chegou tarde para os nativos. Quando estes perceberam que aqueles estranhos visitantes tinham a intenção de se fixarem em suas terras, já não havia mais tempo de organizar uma resposta à altura e a vantagem numérica desses povos acabou não contando muito perante a pólvora e as armas de metal. Além disso, as doenças derrubavam assustadoramente a população nativa.

O documentário é feliz em mostrar como esse conflito está longe de ter um fim. Ainda hoje, a população originária encontra-se marginalizada, à beira das estradas, das calçadas e dos projetos econômicos dos diferentes governos brasileiros, de Lula a Bolsonaro,  os interesses indígenas são sistematicamente soterrados, seja em lavouras de soja ou em grandes hidrelétricas.

Trabalho altamente recomendável para quem acompanha a luta indígena.

Até a próxima.

Relacionados:

La Digna Rabia – Música e compromisso

Povos Indígenas em Quadrinhos

Visita a retomada Guarani

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La Digna Rabia – Música e Compromisso

Por Rafael.

Banda La Digna Rabia

Foto: Marcelo Curia.

A Banda porto-alegrense, La Digna Rabia, iniciou suas atividades no ano de 2010, reunindo três amigos interessados em fazer um som, tendo como referência bandas do cenário hispano-americano, como Ska-p, Skalariak, La Polla Records, Los Fabulosos Cadillac, Karamelo Santo, Los de Abajo, entre outras. Eu era um, desses três amigos. No final de 2016, quando deixei a banda para morar em outra cidade, ela já contava com nove integrantes. Desde então, o também chamado Conjunto Musical La Digna Rabia segue mais vivo do que nunca.

O nome, “La Digna Rabia”, veio como uma referência ao conhecido festival cultural de mesmo nome, que acontece todos anos no estado rebelde de Chiapas, sul do México. Lar do conhecido Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). Um movimento social e político que busca dignidade para a população pobre mexicana, desde 1994, e que inspira movimentos políticos no mundo inteiro. Inspirando a nós, também, em Porto Alegre.

Partindo de uma referência como essa, entendemos as temáticas de muitas letras da banda (que opta por cantar em espanhol, buscando essa ligação com a América Latina) e, também, dos materiais visuais trabalhados por ela.

Nestes, encontramos caveiras mexicanas, mas também referências à povos indígenas sul-americanos como um todo. Fazendo com que, visualmente, a banda tenha uma forte ligação com a causa dos povos originários da América.

conexión chiapas

Arte do EP: Conexión Chiapas. Autor: Tharcus Aguilar.

cd la digna rabia

Arte do primeiro CD da banda. Autor: Tharcus Aguilar.

la digna rabia

Logo da banda, criado por Tharcus Aguilar.

Como desenhista, sigo contribuindo com a banda, mas Tharcus Aguilar, o baterista, que tem formação e trabalha na área das artes, é um dos principais criadores nesse sentido. A banda ainda conta com a contribuição de outro artista, o produtor artístico Leo Garbin. 

Porém, a ligação da banda com a luta dos povos originários não se dá apenas nas letras ou nas artes que ela usa. O grupo musical procura sempre levar o seu apoio às lutas concretas desse campo.

No dia 24 de março deste ano, ocorreu um ato em solidariedade à aldeia guarani mbya da Ponta do Arado, na zona sul de Porto Alegre. Uma comunidade indígena que procura lutar por seu direito à terra, em meio à pressão do mercado imobiliário, da prefeitura municipal e da Polícia Militar. Lá estava a banda para prestar sua solidariedade e participar do ato. No vídeo abaixo, temos um registo da atividade.

Mas essa não foi a primeira vez. Em abril e maio de 2018, os integrantes da banda participaram do mutirão para construção da Escola Autônoma da Retomada Guarani Mbya de Maquiné, litoral norte do Rio Grande do sul. Abaixo, algumas fotos tiradas por alguém, no dia do mutirão.

Não conhece o Conjunto Musical La Digna Rabia? Não sabe o que está perdendo. Você pode acompanhar a banda nas redes sociais:

https://www.facebook.com/conjuntomusicalladignarabia/

https://www.instagram.com/conjuntoladignarabia/

Abraços e até mais.

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A lenda do Muembe

Por Rafael.

Muembe

O muembe é uma planta conhecida no Brasil como banana-de-macaco ou imbé. Sua característica de se enroscar no tronco das árvores gerou uma lenda no Paraguai.

Essa é mais uma história que envolve o amor entre dois jovens (Como os paraguaios gostam dessas histórias). Chihy um garoto guarani espreitava a aldeia de sua amada. Ele estava proibido de falar com ela, pois cada um deles pertencia a tribos rivais. Em um momento de distração, ele conseguiu encontrar a garota que procurava e ambos fugiram.

O pai da garota ordenou um grupo para alcançar os dois. Depois de muito fugir, o casal acabou encurralado.  Não havia mais por onde escapar e eles apenas abraçaram-se fortemente. Tupã, observando tudo, se sensibilizou com a determinação dos jovens em viver seu amor proibido e decidiu ajudá-los.

Quando os perseguidores estavam a ponto de cair em cima do casal, não encontraram mais os dois. No lugar onde eles estavam abraçados, havia uma grande árvore de yvyrapytã (ibirapuitã?) enroscada por um muembe (ou imbé, para os brasileiros). E, assim, Chihy e sua amada viveram felizes e plantados para sempre.

Outras lendas:

Outra lenda da erva-mate.

A lenda da mandioca.

A lenda de Avati.

 

 

 

 

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Guarani – um idioma americano

Por Rafael.

Idioma guarani

Pórtico do município de São Miguel das Missões/RS

Infelizmente, através do processo de colonização do continente americano e dizimação de suas culturas originais, não resta muito dos idiomas falados pelas populações que aqui habitavam. Ainda assim, eles resistem. É o caso do Paraguai, onde o guarani é considerado idioma oficial, sendo falado por uma parcela grande da população e usado nos meios de comunicação oficiais e na publicidade e literatura.

Porém não é só no Paraguai que o guarani é usado. No nordeste argentino, sua presença é marcante, assim como, em menor grau, no sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. Aqui, ele é falado pelas populações indígenas mbya, kaiowá e nhandeva. Apesar das diferenças na grafia e em algumas palavras, esse idioma segue vivo, e bem vivo, no nosso continente. No estado do Rio Grande do Sul, temos uma desconhecida proximidade com ele, pois, ainda que não saibamos, são palavras de origem guarani como Gravataí, Caí, Jacuí, Taquari, Ijuí, Sapucaia, Sarandi, Itapuã, entre outras, que marcam a nossa geografia.

É muito conhecido, principalmente entre os músicos gaúchos, a célebre frase atribuída a Sepé Tiarajú: Esta terra tem dono!  O cacique guarani a teria dito, em tom de desafio, aos comandantes dos exércitos espanhóis e portugueses, durante as chamadas guerras guaraníticas. E é na cidade de São Miguel das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul, que encontramos um pórtico com essa frase, no seu idioma original: Co yvy oguereco yara!

Tenho estudado, de maneira autodidática, esse belo idioma e já posso desmembrar as palavras da frase e mostrar seus significados.

Comecemos com o pronome demonstrativo Co, que significa este ou esta. Às vezes, vejo essa palavra grafada com a letra k. Imagino que isso seja comum, pois se trata de um idioma que, originalmente, não tinha sua forma escrita, tendo usado as letras latinas, mais tarde. Portanto, não podemos falar em uma maneira “certa” de escrever.

Depois temos a palavra yvy. Que significa terra ou mundo, mas também pode significar chão ou solo. A letra y em guarani soa como vogal em alguns casos, com um som gutural (som oriundo do interior da garganta). A letra y, sozinha, também significa água ou rio.

A palavra oguereco se trata de um verbo conjugado na terceira pessoa do singular. É o verbo guereco (também já vi a grafia guereko), que significa ter ou possuir. A letra o, no início da palavra, diz respeito à conjugação para a terceira pessoa do singular: ele ou ela (ha’e).

Para concluir, temos a palavra yara. A qual também já vi com outra grafia: jara. Nesse caso, tanto o y, como o j, soam como o j em inglês (algo como “dji”). Essa palavra significa dono, senhor, amo…

Existe um site educativo, com exercícios bem simples, para quem se interessar em aprender guarani por curiosidade (meu caso). Esse site é o duolingo. Aí temos as atividades e, também, espaço para comentários, caso alguém queira acrescentar alguma correção aos exercícios do site. Ah, ele é feito para falantes de espanhol, mas não tem mistério.

Também encontramos inúmeros vídeos no youtube, de professores ensinando o idioma. São todos canais paraguaios, não encontrei nenhum brasileiro, falante de guarani, fazendo o mesmo serviço. O canal que mais gostei é esse:

Obrigado e até a próxima!

 

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Outra Lenda da Erva-Mate

Por Rafael.

lenda da erva mate

Já foi publicado, aqui no blog, um artigo sobre a lenda da erva-mate do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay. Agora, conheceremos mais uma lenda envolvendo essa erva tão conhecida dos habitantes do cone-sul, extraída desse mesmo livro.

Ela conta sobre uma garota de nome Ka’a que, distraída à beira de um rio, se encantou por um jovem guarani mbya que por ali passava. Depois de vê-lo, ao longe, ela não conseguia mais esquecer o seu rosto. Mais tarde, descobriu que o rapaz passaria um tempo em sua aldeia e ficou muito feliz. Fazia de tudo para estar nos mesmos lugares que ele.

Acreditando que o rapaz lhe correspondia os olhares, ela ficava cada vez mais entusiasmada. E, para completar, todas as noites, ele aparecia em seus sonhos, ela estava enfeitiçada.

Em uma dessas noites, ela se levanta, como que guiada por alguma força desconhecida, que conduz seus pés para algum lugar. Na sua mente, apenas a imagem do belo mbya. Seu trajeto termina na beira do rio, aquele mesmo, onde ela conheceu o rapaz. E, para o espanto da garota, lá estava ele.

Ela o abraça com força e confessa o seu amor. O jovem parece ter sido pego de surpresa, não sabe o que fazer. Então, o inesperado. O mbya agarra sua machadinha de pedra e golpeia a cabeça da garota, que morre antes mesmo de cair no chão. Depois disso, simplesmente vai embora, deixando Ka’a ali, mesmo, na beira do rio, com a cabeça se esvaindo em sangue.

Muitos anos se passam e o jovem envelhece. Ele, que passou a vida toda carregando o peso daquela morte, ao ver seu fim chegando, volta para a beira daquele mesmo rio. Lá, onde Ka’a morrera, havia crescido um belo arbusto. Sentou-se em uma pedra ao lado daquela da planta e, enquanto meditava, agarrava algumas daquelas folhas e as levava à boca, mascando-as. As folhas, de algum modo, aliviaram o peso na alma do velho mbya  e ele, enfim, pode morrer em paz.

Conheça outras lendas:

 

 

 

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Povos Indígenas em Quadrinhos

Por Rafael.

cacique raoni

Recomendado pelo amigo Guilherme Smee, conheci o álbum Povos Indígenas em Quadrinhos. Lançado em 2012, pela editora Zarabatana Books, a obra é de autoria de Sérgio Macedo, quadrinista brasileiro com larga carreira na França (tendo realizado trabalhos até na lendária revista Metal Hurlant), cujo trabalho, acredito, deveria ser mais conhecido pelos brasileiros.

Como o título sugere, o livro é um minucioso documentário, em forma de história em quadrinhos, sobre a verdadeira epopeia de alguns povos indígenas do Brasil pela sobrevivência. Sérgio Macedo, que levou mais de uma década na elaboração da obra, optou por uma arte em estilo realista. Nas suas belas pinturas de acrílica sobre papel, ele usou, como referência, fotos de jornais, revistas e de amigos, reforçando o aspecto de documentário da obra.

Povos Indígenas em Quadrinhos traz a história dos povos Yanomami, Xavante, Kayapó, Suruí e Panará, e mais um capítulo sobre a formação do parque indígena do Xingu. Nas epopeias desses povos, uma coisa em comum. O contato com a civilização branca lhes trouxe a morte, seja ela em forma de doenças desconhecidas, violência pura e simples, álcool, prostituição ou perdendo as terras para a mineração ilegal ou legal. A obra traz, também, a lembrança de nomes conhecidos da luta indígena, o antigo deputado xavante Mário Juruna, o célebre cacique Raoni dos Kayapó e o líder yanomami Davi Kopenawa.

Conhecemos a tragédia que assolou o povo judeu durante o regime nazista, mas lendo este livro, aprendemos que, nos interiores deste imenso país, longe dos olhos da população das cidades, outros povos travaram, e travam, uma luta feroz pela sobrevivência, física e cultural.

povos indígenas em quadrinhos

A obra de Sérgio Macedo, nos ajuda a conhecer e respeitar um outro Brasil (o que é o Brasil?), que muitos se recusam a aceitar. Mas ele próprio não se recusa a continuar existindo.

Outras obras que trazem a temática indígena brasileira:

 

 

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Quadrinhos e mitos populares – A Liga dos Pampas

Por Rafael.

a liga dos pampas

As histórias fazem parte da identidade de um povo. Através delas, pode-se construir significados, memórias, características, sentido coletivo, etc. As nações costumam construir narrativas épicas para exaltar suas histórias, seus feitos, seus supostos valores, enfim, tudo aquilo que lhe confere identidade e as fazem ser o que é.

Os mitos e lendas de cada povo ou nação, com seus personagens e seus dramas fantásticos, também contribuem na construção dessa identidade, na transmissão de costumes e valores.

Na indústria de entretenimento, vemos muitos exemplos de utilização desses personagens mitológicos nos mais diversos meios. São inúmeros os filmes, livros, videogames e histórias em quadrinhos em que figuram vampiros, lobisomens, duendes, minotauros, elfos, sereias, fadas, cavalos alados, anjos, demônios, deuses gregos, egípcios ou nórdicos, etc. Talvez, nesse caso, as histórias sejam mais um passatempo moderno do que um meio de transmissão de valores e identidades. Essa ideia pode ser contestada, e são vários os trabalhos acadêmicos que analisam os impactos da mídia de massa na construção de significados e identidades.

Simples entretenimento ou não, que tal se os contadores de histórias se baseassem nos mitos populares dos lugares onde vivem? Que caminhos seriamos levados a trilhar? Que sentidos produziríamos?

É o exemplo de A Liga dos Pampas, história em quadrinhos de Jader Correa (roteiro e desenhos), com a participação de Guilherme Smee no roteiro. Lançada em 2017, a obra nos traz as aventuras de um grupo diferente de heróis. Não é possível afirmar, mas o título e a história parecem fazer referência à conhecida Liga Extraordinária, história em quadrinhos em que o escritor Alan Moore une diferentes personagens clássicos da literatura, como Alan Quarteraman, Dr. Jekil e Mr. Hyde, o Homem Invisível e o Capitão Nemo. Personagens criados no final do século XIX, época da revolução industrial e do desenvolvimento científico e tecnológico na Europa.

De maneira parecida, A Liga dos Pampas unirá personagens da literatura pampeana. Cujas histórias se tornaram conhecidas num período parecido com o dos personagens europeus citados, o final do século XIX, ainda que numa realidade mais rural, menos tecnológica. Aqui, encontraremos o lendário Negrinho do Pastoreio junto com a conhecida Salamanca do Jarau, os dois se unem ao contador de causos Blau Nunes, o aventureiro sem-fronteiras Martin Fierro e o mito guarani do Anguera.

Ao longo da história, os personagens vão se unindo, tendo como guia a Salamanca do Jarau, uma feiticeira que tem contato permanente com os seres do além, e ela que descobre a aproximação de um grande mal ao nosso mundo.

Assim como a Salamanca, cada personagem contribuirá com suas características para a aventura, o Negrinho, com seu poder de localizar qualquer coisa, o Blau com sua esperteza e senso de oportunidade, Martin Fierro com sua coragem e o Anguera com seu poder sobre a madeira (lembrando um pouco o que o mutante Magneto faz com os metais) .

A história em quadrinhos possui uma narrativa muito ágil e fluida, prendendo o leitor do começo ao fim. As cores mutio suaves incrementam a atmosfera da história e a publicação ainda conta com as páginas de prólogo e epílogo desenhadas por Matias Streb, que trabalha muito bem com a aquarela.

A Liga dos Pampas é uma obra que possui potencial para ser usada também em sala de aula, por sua linguagem e por sua temática. Trazendo aos estudantes, referências da mitologia do sul do Brasil e pampeana, de uma forma fácil e divertida.

Não deixe de conhecer essa história. Você pode fazer contato com a editora Edibook, contato@edibook.com.br.

Até a próxima!

 

 

 

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A Lenda da Mandioca

Por Rafael.

lenda da mandioca

Já relatamos aqui mais de um mito paraguaio que se origina de um amor frustrado. A lenda da mandioca é outro desses.

Ela começa com uma garota chamada Mandi, integrante de uma tribo bem diferente. A tribo das Marahyva, onde só havia mulheres. Homens eram proibidos de viver entre elas. O problema é que Mandi era visitada em seus sonhos, todas as noites, por um jovem rapaz, muito bonito. A garota estava apaixonada por ele, seu nome era Mborotúva, e não existia apenas em sonhos, ele existia de verdade e também sonhava com Mandi.

Uma vez por ano, as Marahyva abrem as portas do Pindorama, a cidade onde moram, e as serpentes guardiãs permitem a entrada de jovens da tribo dos Guakara. É a noite anual de celebração, quando mulheres Marahyva e guerreiros Guakara fazem uma grande festa, dançam, bebem e fazem amor. As crianças geradas nessa noite festiva serão as novas habitantes de Pindorama. Se nascem meninos, são entregues ao pai ou simplesmente mortas.

É numa dessas noites, que os dois jovens da nossa história deixam de se encontrar apenas em sonhos. Lá estão eles, na porta do Pindorama, enquanto todos celebram. Mborotúva propõe que os dois aproveitem o momento para fugir e viver seu amor livremente, longe dali. Mandi sabe que isso será impossível, as serpentes nunca os deixarão passar.

Com medo e sem esperança, Mandi volta para sua casa e nunca mais volta a ver Mborotúva. A tristeza toma conta de sua alma e ela passa os dias se lamentando por não viver com seu amor. Pouco depois, a garota morre, definhando tragicamente em sua rede de dormir.

No local em que Mandi é enterrada, nasce uma planta desconhecida, com raízes que são como frutos. As Marahyva chamam a planta de Mandi’oga (oga= casa, ou seja, casa de Mandi).

Quando as Marahyva desaparecem, os guarani herdam essa planta que é um alimento muito importante.

 

 

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A Lenda de Avati (milho)

Por Rafael.

avati

Foto de Vherá Poty e Danilo Christidis. Fonte: Os Guarani Mbya, Porto Alegre, 2015.

Esta é a história de um rapaz chamado Avati. Uma vez, houve uma grande seca na terra. Rios secaram, plantas e animais morreram. Uma tribo vagava procurando um lugar melhor para viver. Avati subiu no alto de um morro e pediu a Tupã que ajudasse seu povo.

Tupã ouviu Avati, mas não respondeu diretamente, enviou um emissário, que mandou o seguinte recado: se o povo quisesse água, teria que enfrentar e derrotar seu emissário em uma luta.

Todos estavam exaustos e enfraquecidos pela sede e pela fome. Mesmo assim, decidiram aceitar o desafio contra o campeão de Tupã, que derrotou um por um dos mais fortes guerreiros da tribo. Até que chegou a vez de Avati e seu amigo Tupi enfrentarem o emissário. Durante a luta, Avati levou um golpe na cabeça, porém, a lança de Tupi acertou o coração do emissário, antes que ele pudesse se recompor do seu ataque.

O emissário sumiu como se nunca tivesse existido e, atrás de si, deixou um rastro de guerreiros derrotados e um rapaz morto, Avati. Então, todos ouvem a voz de Tupã, que avisa para que enterrem os olhos do rapaz sem vida.

O povo assim o fez e, como mágica, no lugar onde os olhos foram plantados, nasceu uma planta de folhas compridas, que fornecia um rico alimento em forma de espigas cheias de grãos. Essa planta matou a fome do povo e, no dia seguinte, a chuva voltou. Hoje, todos agradecem o sacrifício de Avati, que deu sua própria vida para que os demais sobrevivessem.

Essa versão da história faz parte do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay. Conheça outras histórias:

A foto dessa postagem pertence ao livro Os Guarani Mbyá. Recomendo a leitura.

Até a próxima!