Êxodo! Terceiro episódio de YVY.

êxodo

Capa do terceiro episódio, arte de Ricardo Fonseca.

Dia 5 de julho, irá ao ar, aqui no site, o terceiro episódio de YVY. Nele, Eva tem que ajudar os guaranis de uma redução a escapar da fúria assassina dos bandeirantes. Já tá rolando o evento no facebook, se marca lá e é só aguardar.

Obrigado e até a próxima!

Anúncios

Rio Jacuí

Por Rafael.

rio jacuí

Vamos começar uma série nova no blog, sobre importantes rios do sul do Brasil que se ligam, como você perceberá, à história e cultura do povo guarani. O primeiro será o grande e castigado rio Jacuí.

Numa rápida busca pela internet, encontramos o que é considerado o significado de Jacuí, rio dos Jacus, pássaro nativo do continente americano. O nome do rio deriva do guarani, yacuy ( yacu,a ave a que nos referimos antes, e y, água ou rio).

Desde sua nascente na região do planalto sul-riograndense, perto dos municípios de Passo Fundo e Marau, o rio Jacuí corre por 730 km, até desaguar no seu delta, no lago Guaíba, na capital do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Atualmente, toda a área de sua bacia é densamente utilizada pela agricultura e pecuária. Também, na sua parte mais alta, é aproveitado para a geração de energia elétrica, como no município de Salto do Jacuí. Outra forma de exploração do rio, essa ainda mais predatória, é a extração de areia do seu leito para a construção civil. Dessa forma, o rio Jacuí agoniza.

Mas nem sempre a relação humana com o rio foi essa. Nas suas margens, estudiosos já encontraram resquícios da ocupação guarani, povo que batizou o rio e tirou seu sustento de suas águas. Atualmente, existem alguns territórios guarani demarcados na bacia do rio Jacuí.

Mas, para mim, a coisa mais curiosa sobre esse rio foi quando li o poema épico o Uraguai. Nele, Basílio da Gama, o autor, nos conta a guerra que envolveu os impérios espanhol e português, de um lado, e os guaranis missioneiros, de outro. Em um trecho do livro, o exército português acampa às margens do rio Jacuí, durante sua marcha até as missões. Profundos desconhecedores da geografia do nosso continente, os invasores não sabiam que era época de cheia e foram pegos desprevenidos pela inundação de seu acampamento. O autor relata que os europeus tiveram que passar dias em cima das árvores e, quando as águas desceram, foram obrigados a voltar para o lugar de onde vieram, adiando assim, o ataque aos guaranis.

Grande rio Jacuí, engolindo os canalhas!

Até a próxima.

 

Lenda do Macaco (Ka’i)

Por Rafael.

macaco-prego

Eis a última lenda do livro Leyendas y Creencias Populares del Paraguay. É a lenda de como foi a criação dos macacos, ou ka’i, em guarani. Ela conta a história de um garoto que gostava muito de pregar peças nas pessoas. Era brincalhão de mais, de um tipo que que chegava a ser chato. Muitos lhe advertiam para que mudasse seu comportamento, pois aquilo poderia não terminar bem para ele.

O garoto não fazia caso, não ouvia ninguém. Continuava com seu modo de vida impertinente. Certa vez, ele e outros garotos, subiram em uma árvore de guabiroba para comer e se divertir. Um velho senhor que por ali passava, viu a árvore e os garotos e se dirigiam a eles. Pediu que lhe dessem alguma fruta, pois havia caminhado muitos dias e estava com fome. Os garotos, no lugar de ajudar o senhor, aproveitaram o momento para fazer mais uma brincadeira, atirando frutas no homem e rindo.

Este protegia a cabeça com as mãos e pedia para que os garotos parassem com a brincadeira. O azar deles foi que, bem na hora, estava passando por ali o Ka’aguy Póra, o espírito da floresta, que não gostou nada do que viu.

Indignado com a covardia e falta de respeito dos moleques, decidiu lançar um feitiço neles. De repente, os meninos, enquanto riam, percebiam que crescia pelos no seu corpo e caldas nos seus traseiros. E assim, nasceram os macacos-pregos, que correm, saltam e se penduram onde podem, sem parar.

Assim termina essa série de postagens sobre as lendas guarani-paraguaias. Espero que tenham servido para despertar seu interesse pela cultura desse país, que é tão parecida com a brasileira, em muitos aspectos. Conheça as outras lendas:

Lenda do sapo.

Lenda do muembe.

Outra lenda da erva-mate.

Lenda da mandioca.

 

 

Lenda do sapo (kururu)

Por Rafael.

sapo cururu

Kururu, ou cururu, é a palavra guarani para sapo. No Brasil, existe uma espécie conhecida como sapo-cururu. Por que só essa espécie de sapo é chamada de cururu? Não  sei. Mas existe uma lenda guarani da criação do sapo. Vamos conhecê-la.

Lendas do Paraguai.

Diz a lenda que, no início da criação do mundo,  Tupã estava na beira de um rio, de onde ele tirava a argila com a qual moldava os animais que iriam habitar o mundo. O grande pai criador, manipulava a argila e, depois, a soprava, lançando ao mundo belos animais. Anhá, o diabo, escondido, observava e invejava a beleza daquelas criações.

Então, depois de Tupã criar o animal mais lindo de todos, o mainumby, ou beija-flor, ele foi descansar. Anhá aproveitou a oportunidade e, roxo de inveja, foi para o rio, agarrou um pouco de argila, moldou alguma coisa e soprou.

A lenda da erva-mate.

A lenda do urutau.

A criatura que saiu dali, era tão feia e deformada que, com vergonha dela mesmo, foi viver escondida no escuro, onde ninguém a veja. O Anhá, um ser do mal, não poderia haver criado nada belo. Da sua criação, havia nascido o kururu, ou sapo.

Pobre sapo, um bichinho tão simpático, uma cria do demo. Igual, sigo gostando deles.

Até a próxima.

Guerras do Brasil

Por Rafael.

guerras do brasil

Desde o dia 3 de junho, está disponível no catálogo da Netflix, o documentário Guerras do Brasil. Dirigido por Luis Bolognesi, a obra é composta de cinco episódios, apresentando diferentes conflitos, históricos e atuais, que afligiram e afligem o Brasil. Um dos principais méritos do documentário está em problematizar uma daquelas máximas que, vez ou outra, escutamos, a de que o brasileiro é um povo “pacífico”.

O Brasil é uma produção, ou uma invenção, como diz, no primeiro episódio, o historiador Ailton Krenak. Uma invenção construída em cima do sangue de milhões de pessoas, pertencentes às centenas de povos que habitavam essas terras antes da chegada dos europeus. Esse foi o processo de colonização.

a guerra de conquista

Nesse primeiro episódio, intitulado A Guerra de Conquista, vemos, através das falas de historiadores e estudiosos, como Ailton Krenak, Carlos Fausto, Sonia Guajajara, entre outros,  como o processo de colonização, iniciado em 1530 pelos portugueses, levou a uma guerra que dura, de certo modo, até os dias de hoje.

Os primeiros povos a ter contato com os europeus foram os tupiniquins e tupinambás, que viviam nas áreas costeiras ao oceano Atlântico. Para se apossarem do território desses povos, uma das estratégias usadas pelos europeus, foi manipular as rivalidades existentes entre eles, assim, enfraquecidos, foi mais fácil dizimá-los. A consciência de que estavam sendo manipulados chegou tarde para os nativos. Quando estes perceberam que aqueles estranhos visitantes tinham a intenção de se fixarem em suas terras, já não havia mais tempo de organizar uma resposta à altura e a vantagem numérica desses povos acabou não contando muito perante a pólvora e as armas de metal. Além disso, as doenças derrubavam assustadoramente a população nativa.

O documentário é feliz em mostrar como esse conflito está longe de ter um fim. Ainda hoje, a população originária encontra-se marginalizada, à beira das estradas, das calçadas e dos projetos econômicos dos diferentes governos brasileiros, de Lula a Bolsonaro,  os interesses indígenas são sistematicamente soterrados, seja em lavouras de soja ou em grandes hidrelétricas.

Trabalho altamente recomendável para quem acompanha a luta indígena.

Até a próxima.

Relacionados:

La Digna Rabia – Música e compromisso

Povos Indígenas em Quadrinhos

Visita a retomada Guarani

La Digna Rabia – Música e Compromisso

Por Rafael.

Banda La Digna Rabia

Foto: Marcelo Curia.

A Banda porto-alegrense, La Digna Rabia, iniciou suas atividades no ano de 2010, reunindo três amigos interessados em fazer um som, tendo como referência bandas do cenário hispano-americano, como Ska-p, Skalariak, La Polla Records, Los Fabulosos Cadillac, Karamelo Santo, Los de Abajo, entre outras. Eu era um, desses três amigos. No final de 2016, quando deixei a banda para morar em outra cidade, ela já contava com nove integrantes. Desde então, o também chamado Conjunto Musical La Digna Rabia segue mais vivo do que nunca.

O nome, “La Digna Rabia”, veio como uma referência ao conhecido festival cultural de mesmo nome, que acontece todos anos no estado rebelde de Chiapas, sul do México. Lar do conhecido Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). Um movimento social e político que busca dignidade para a população pobre mexicana, desde 1994, e que inspira movimentos políticos no mundo inteiro. Inspirando a nós, também, em Porto Alegre.

Partindo de uma referência como essa, entendemos as temáticas de muitas letras da banda (que opta por cantar em espanhol, buscando essa ligação com a América Latina) e, também, dos materiais visuais trabalhados por ela.

Nestes, encontramos caveiras mexicanas, mas também referências à povos indígenas sul-americanos como um todo. Fazendo com que, visualmente, a banda tenha uma forte ligação com a causa dos povos originários da América.

conexión chiapas

Arte do EP: Conexión Chiapas. Autor: Tharcus Aguilar.

cd la digna rabia

Arte do primeiro CD da banda. Autor: Tharcus Aguilar.

la digna rabia

Logo da banda, criado por Tharcus Aguilar.

Como desenhista, sigo contribuindo com a banda, mas Tharcus Aguilar, o baterista, que tem formação e trabalha na área das artes, é um dos principais criadores nesse sentido. A banda ainda conta com a contribuição de outro artista, o produtor artístico Leo Garbin. 

Porém, a ligação da banda com a luta dos povos originários não se dá apenas nas letras ou nas artes que ela usa. O grupo musical procura sempre levar o seu apoio às lutas concretas desse campo.

No dia 24 de março deste ano, ocorreu um ato em solidariedade à aldeia guarani mbya da Ponta do Arado, na zona sul de Porto Alegre. Uma comunidade indígena que procura lutar por seu direito à terra, em meio à pressão do mercado imobiliário, da prefeitura municipal e da Polícia Militar. Lá estava a banda para prestar sua solidariedade e participar do ato. No vídeo abaixo, temos um registo da atividade.

Mas essa não foi a primeira vez. Em abril e maio de 2018, os integrantes da banda participaram do mutirão para construção da Escola Autônoma da Retomada Guarani Mbya de Maquiné, litoral norte do Rio Grande do sul. Abaixo, algumas fotos tiradas por alguém, no dia do mutirão.

Não conhece o Conjunto Musical La Digna Rabia? Não sabe o que está perdendo. Você pode acompanhar a banda nas redes sociais:

https://www.facebook.com/conjuntomusicalladignarabia/

https://www.instagram.com/conjuntoladignarabia/

Abraços e até mais.

A lenda do Muembe

Por Rafael.

Muembe

O muembe é uma planta conhecida no Brasil como banana-de-macaco ou imbé. Sua característica de se enroscar no tronco das árvores gerou uma lenda no Paraguai.

Essa é mais uma história que envolve o amor entre dois jovens (Como os paraguaios gostam dessas histórias). Chihy um garoto guarani espreitava a aldeia de sua amada. Ele estava proibido de falar com ela, pois cada um deles pertencia a tribos rivais. Em um momento de distração, ele conseguiu encontrar a garota que procurava e ambos fugiram.

O pai da garota ordenou um grupo para alcançar os dois. Depois de muito fugir, o casal acabou encurralado.  Não havia mais por onde escapar e eles apenas abraçaram-se fortemente. Tupã, observando tudo, se sensibilizou com a determinação dos jovens em viver seu amor proibido e decidiu ajudá-los.

Quando os perseguidores estavam a ponto de cair em cima do casal, não encontraram mais os dois. No lugar onde eles estavam abraçados, havia uma grande árvore de yvyrapytã (ibirapuitã?) enroscada por um muembe (ou imbé, para os brasileiros). E, assim, Chihy e sua amada viveram felizes e plantados para sempre.

Outras lendas:

Outra lenda da erva-mate.

A lenda da mandioca.

A lenda de Avati.

 

 

 

 

Guarani – um idioma americano

Por Rafael.

Idioma guarani

Pórtico do município de São Miguel das Missões/RS

Infelizmente, através do processo de colonização do continente americano e dizimação de suas culturas originais, não resta muito dos idiomas falados pelas populações que aqui habitavam. Ainda assim, eles resistem. É o caso do Paraguai, onde o guarani é considerado idioma oficial, sendo falado por uma parcela grande da população e usado nos meios de comunicação oficiais e na publicidade e literatura.

Porém não é só no Paraguai que o guarani é usado. No nordeste argentino, sua presença é marcante, assim como, em menor grau, no sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. Aqui, ele é falado pelas populações indígenas mbya, kaiowá e nhandeva. Apesar das diferenças na grafia e em algumas palavras, esse idioma segue vivo, e bem vivo, no nosso continente. No estado do Rio Grande do Sul, temos uma desconhecida proximidade com ele, pois, ainda que não saibamos, são palavras de origem guarani como Gravataí, Caí, Jacuí, Taquari, Ijuí, Sapucaia, Sarandi, Itapuã, entre outras, que marcam a nossa geografia.

É muito conhecido, principalmente entre os músicos gaúchos, a célebre frase atribuída a Sepé Tiarajú: Esta terra tem dono!  O cacique guarani a teria dito, em tom de desafio, aos comandantes dos exércitos espanhóis e portugueses, durante as chamadas guerras guaraníticas. E é na cidade de São Miguel das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul, que encontramos um pórtico com essa frase, no seu idioma original: Co yvy oguereco yara!

Tenho estudado, de maneira autodidática, esse belo idioma e já posso desmembrar as palavras da frase e mostrar seus significados.

Comecemos com o pronome demonstrativo Co, que significa este ou esta. Às vezes, vejo essa palavra grafada com a letra k. Imagino que isso seja comum, pois se trata de um idioma que, originalmente, não tinha sua forma escrita, tendo usado as letras latinas, mais tarde. Portanto, não podemos falar em uma maneira “certa” de escrever.

Depois temos a palavra yvy. Que significa terra ou mundo, mas também pode significar chão ou solo. A letra y em guarani soa como vogal em alguns casos, com um som gutural (som oriundo do interior da garganta). A letra y, sozinha, também significa água ou rio.

A palavra oguereco se trata de um verbo conjugado na terceira pessoa do singular. É o verbo guereco (também já vi a grafia guereko), que significa ter ou possuir. A letra o, no início da palavra, diz respeito à conjugação para a terceira pessoa do singular: ele ou ela (ha’e).

Para concluir, temos a palavra yara. A qual também já vi com outra grafia: jara. Nesse caso, tanto o y, como o j, soam como o j em inglês (algo como “dji”). Essa palavra significa dono, senhor, amo…

Existe um site educativo, com exercícios bem simples, para quem se interessar em aprender guarani por curiosidade (meu caso). Esse site é o duolingo. Aí temos as atividades e, também, espaço para comentários, caso alguém queira acrescentar alguma correção aos exercícios do site. Ah, ele é feito para falantes de espanhol, mas não tem mistério.

Também encontramos inúmeros vídeos no youtube, de professores ensinando o idioma. São todos canais paraguaios, não encontrei nenhum brasileiro, falante de guarani, fazendo o mesmo serviço. O canal que mais gostei é esse:

Obrigado e até a próxima!

 

Outra Lenda da Erva-Mate

Por Rafael.

lenda da erva mate

Já foi publicado, aqui no blog, um artigo sobre a lenda da erva-mate do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay. Agora, conheceremos mais uma lenda envolvendo essa erva tão conhecida dos habitantes do cone-sul, extraída desse mesmo livro.

Ela conta sobre uma garota de nome Ka’a que, distraída à beira de um rio, se encantou por um jovem guarani mbya que por ali passava. Depois de vê-lo, ao longe, ela não conseguia mais esquecer o seu rosto. Mais tarde, descobriu que o rapaz passaria um tempo em sua aldeia e ficou muito feliz. Fazia de tudo para estar nos mesmos lugares que ele.

Acreditando que o rapaz lhe correspondia os olhares, ela ficava cada vez mais entusiasmada. E, para completar, todas as noites, ele aparecia em seus sonhos, ela estava enfeitiçada.

Em uma dessas noites, ela se levanta, como que guiada por alguma força desconhecida, que conduz seus pés para algum lugar. Na sua mente, apenas a imagem do belo mbya. Seu trajeto termina na beira do rio, aquele mesmo, onde ela conheceu o rapaz. E, para o espanto da garota, lá estava ele.

Ela o abraça com força e confessa o seu amor. O jovem parece ter sido pego de surpresa, não sabe o que fazer. Então, o inesperado. O mbya agarra sua machadinha de pedra e golpeia a cabeça da garota, que morre antes mesmo de cair no chão. Depois disso, simplesmente vai embora, deixando Ka’a ali, mesmo, na beira do rio, com a cabeça se esvaindo em sangue.

Muitos anos se passam e o jovem envelhece. Ele, que passou a vida toda carregando o peso daquela morte, ao ver seu fim chegando, volta para a beira daquele mesmo rio. Lá, onde Ka’a morrera, havia crescido um belo arbusto. Sentou-se em uma pedra ao lado daquela da planta e, enquanto meditava, agarrava algumas daquelas folhas e as levava à boca, mascando-as. As folhas, de algum modo, aliviaram o peso na alma do velho mbya  e ele, enfim, pode morrer em paz.

Conheça outras lendas:

 

 

 

Povos Indígenas em Quadrinhos

Por Rafael.

cacique raoni

Recomendado pelo amigo Guilherme Smee, conheci o álbum Povos Indígenas em Quadrinhos. Lançado em 2012, pela editora Zarabatana Books, a obra é de autoria de Sérgio Macedo, quadrinista brasileiro com larga carreira na França (tendo realizado trabalhos até na lendária revista Metal Hurlant), cujo trabalho, acredito, deveria ser mais conhecido pelos brasileiros.

Como o título sugere, o livro é um minucioso documentário, em forma de história em quadrinhos, sobre a verdadeira epopeia de alguns povos indígenas do Brasil pela sobrevivência. Sérgio Macedo, que levou mais de uma década na elaboração da obra, optou por uma arte em estilo realista. Nas suas belas pinturas de acrílica sobre papel, ele usou, como referência, fotos de jornais, revistas e de amigos, reforçando o aspecto de documentário da obra.

Povos Indígenas em Quadrinhos traz a história dos povos Yanomami, Xavante, Kayapó, Suruí e Panará, e mais um capítulo sobre a formação do parque indígena do Xingu. Nas epopeias desses povos, uma coisa em comum. O contato com a civilização branca lhes trouxe a morte, seja ela em forma de doenças desconhecidas, violência pura e simples, álcool, prostituição ou perdendo as terras para a mineração ilegal ou legal. A obra traz, também, a lembrança de nomes conhecidos da luta indígena, o antigo deputado xavante Mário Juruna, o célebre cacique Raoni dos Kayapó e o líder yanomami Davi Kopenawa.

Conhecemos a tragédia que assolou o povo judeu durante o regime nazista, mas lendo este livro, aprendemos que, nos interiores deste imenso país, longe dos olhos da população das cidades, outros povos travaram, e travam, uma luta feroz pela sobrevivência, física e cultural.

povos indígenas em quadrinhos

A obra de Sérgio Macedo, nos ajuda a conhecer e respeitar um outro Brasil (o que é o Brasil?), que muitos se recusam a aceitar. Mas ele próprio não se recusa a continuar existindo.

Outras obras que trazem a temática indígena brasileira: