A Lenda do Chajá

Por Rafael.

El chajá

O chajá é um pássaro conhecido no Brasil como tachã ou tarrã. Essa lenda é conhecida em toda área da chamada “mesopotâmia argentina”, ou seja, a grande planície alagada entre os rios Paraná e Uruguai. A contam desde a república uruguaia até o Paraguai, passando pelas províncias argentinas de Entre Rios e Corrientes. Pesquisando na internet, não vi menção sobre ela no Brasil.

A história fala que um dia, Jaci, a lua, desceu à terra para ver como andava se comportando a humanidade. Ela levou sua irmã menor Mbyja. As duas caminhavam e encontraram um grupo de lavadeiras à beira de um rio. Elas pareciam felizes, riam, jogavam água umas nas outras e brincavam.

As duas entidades divinas decidiram testar aquelas garotas e se aproximaram. Jaci disse que sua irmã pequena estava com muita sede e pediu um pouco de água para as garotas. Elas se trocaram olhares matreiros e uma delas agarrou uma cabaça que tinha ali perto e a encheu no rio, dando para Mbyja.

O problema é que não era água pura o que tinha na cabaça e quando a irmã de Jaci a levou à boca, percebeu que estava cheia de espuma de sabão. Jogou a cabaça no chão e as duas foram embora. As lavadeiras riram muito, se divertindo com a peça que pregaram. Quanto mais a menina chorava, mais elas gargalhavam.

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A Lenda do Muã (o vagalume)

Por Rafael.vagalumes

A lenda do Muã, vagalume em guarani, (em espanhol, luciérnaga) conta a história de uma feiticeira, chamada Bonichua, que se apaixonou por um lindo jovem, de nome Asukape.

A feiticeira, já bem adiantada em sua idade, não teria outra maneira de conquistar o amor do jovem que não fosse por suas bruxarias. Porém, Asukape usava um medalhão feito de uma pedra de itakaru (magnetita em guarani)que o protegia de feitiçarias. Além do mais, ele estava apaixonada por outra jovem, chamada Avatiky.

Um dia, por ciúmes, Bonichua encontra Avatiky na beira de um rio e a rapta. Em sua caverna, a bruxa corta a jovem em pedaços, com um machado. A fim de esconder as provas da sua atrocidade, ela coloca os restos de Avatiky em uma bolsa e vai até o topo de um morro para livrar-se deles.

Lá em cima, ela lança a bolsa no vazio e, logo que sai das suas mãos, algo estranho acontece. A bolsa se abre e, dela, partem centenas de pontos luminosos que esvoaçam ao redor da bruxa. Atrapalhada, ela quer agarrar as estranhas luzes, não pode deixar que descubram sobre o seu crime. Mas as luzes acendem e apagam, fugindo de Bonichua. Impossível alcançá-las. E, assim, ela não consegue esconder o seu flagrante.

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A lenda do Martim Pescador (El Jurunda

Paraguai, rio das coroas: A lenda de Irupê

A Lenda do Urutau

A lenda do Martim Pescador (El Jurunda)

Por Rafael.leyenda del jurunda, el martin pescador

Diferente das outras, esta lenda não envolve o amor entre dois jovens. O protagonista, aqui, é um menino imprudente.

Contam que dois garotos  pescavam em um rio. Um deles, mais audacioso, queria pescar onde as águas são mais perigosas. Não se contentava em ficar no mesmo lugar. Seu amigos o advertiram, mas não adiantou, para lá foi ele.

Não deu outra. O garoto escorregou e caiu nas águas turbulentas de um redemoinho, salvo apenas por um tronco. Os outros foram buscar ajuda. Quando a mãe do menino viu a situação dele, sem pensar, jogou-se nas águas para salvar seu filho. Porém ela engolida pelo rio.

Desesperado, o garoto olhou para o fundo das águas, de lá, dois olhos brilhantes o fitavam. Era o Yporã, a criatura dos rios. A entidade decidiu castigar o menino, que havia sido inconsequente e, pelos seus atos, levou sua mãe à morte. Como gostava de pescar e nadar, o menino virou pássaro, que sempre está na beira dos rios, atrás de um peixe. Hoje, esse pássaro é conhecido como Martim Pescador, ou El Jurunda.

Essa versão foi tirada do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Paraguai, rio das coroas: A lenda de Irupê

Por Rafael.IrupêMuito parecida com a lenda amazônica da Vitória Régia, é a lenda do Irupê, ou Irupe. Esta também conta com uma garota que se joga na água. Porém, diferentemente da primeira, ela não está em busca de algo, e, sim, fugindo de algo.

Conta a lenda que a jovem Irupê participava de uma festa em sua aldeia. O problema é que ela teve o azar de cair nas graças de um bêbado muito chato, de nome Chiru, que se apaixonou por ela.

Chiru a atormentou a noite inteira, até que Irupê decidiu sair da festa. Porém, o inconveniente ébrio a perseguiu mata adentro. Depois de muito fugir, Irupê chegou à beirada de um rochedo bem alto próximo a um rio. Era o fim da linha para ela.

Decidida a não ficar com aquele estrupício bêbado, a jovem salta e caiu nas águas profundas do rio. Chiru, um chato pegajoso, não desiste e segue Irupê, mergulhando na agitada correnteza. Ao fim, ambos terminados suas vidas se afogando.

Tupã, o grande Deus, observava toda a cena e decidiu premiar a jovem Irupê, a transformando em um bela flor avermelhada, em forma de coroa, que flutua pelo rio.

O rio em que Irupê se afogou passou a se chamar rio Paraguai, que significa, rio das coroas.

Essa versão da lenda você pode encontrar no livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Lenda da Guavira

Por Rafael.

guavira

A guavira ou guabiroba é uma fruta nativa do continente sul-americano. Sobre ela, há uma lenda no Paraguai. Esta versão foi extraída do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Nos tempos da colonização, houve um embate entre uma tribo indígena e colonizadores. O confronto terminou positivamente para os índios, que levaram um dos soldados para a aldeia como prisioneiro. Ninguém esperava, mas o prisioneiro branco caiu nas graças de Apykasu,  a filha do grande chefe Jaguati.

A jovem índia conseguiu convencer seu pai a deixá-la ficar com o europeu, o problema foi convencer o rapaz disso, pois ele já havia jurado seu amor a outra mulher que estava lá na Europa.

Depois de tantas investidas e negativas, a moça foi falar com a feiticeira da tribo. Esta lhe receitou um remedinho que foi tiro e queda. Apykasu só tinha que levar o rapaz até um monte onde havia um pé de guavira e fazê-lo comer uma das frutinhas. Ele cairia de amores por ela, no ato.

Não deu outra, Apykasu e o branquelo passaram a vida juntos e tiveram muitos filhos. E, assim, termina mais uma das curiosas lendas paraguaias.

A Lenda do Urutau.

Por Rafael.

Essa é uma lenda paraguaia que é contada, de forma um pouco diferente, no Brasil. Também extraída do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.  Como não podia deixar de ser, trata de uma história de amor entre dois jovens, que termina tragicamente.

Uruti, a filha do grande chefe guarani, de nome Arakare, se apaixona por um jovem de uma tribo rival, chamado Jaguarainga. Nesse Romeu e Julieta guarani (ou Romeu e Julieta é que seriam o Uruti e Jaguarainga inglês?) o pai da moça a encontra junto com seu amado e decide levá-la ao pajé da tribo, que determina que Uruti deve permanecer casta pelo bem do seu povo, para que nenhuma maldição veia cair sobre eles.

Obviamente, os jovens mandam a determinação do pajé para os quintos do inferno e voltam a se encontrar. Quando o chefe Arakare consegue colocar a mão sobre Jaguarainga, este tem o seu trágico fim, com um golpe de tacape na cabeça e seu corpo desmembrado logo depois.

Uruti amaldiçoa seu pai e foge para a floresta para nunca mais ser vista, sua mãe, em solidariedade a filha vai atrás dela. O chefe Arakare termina seus dias sozinho e amargurado, sem nunca mais ver sua mulher e filha.

Hoje, dizem que o canto do urutau, uma ave noturna do conesul da América, é o lamento de Uruti que perdeu seu amado de forma tão brutal.

urutau

 

 

A Lenda da Erva-Marte.

Por Rafael.

ca'a iary

Ainda que eu seja gaúcho, e more no Rio Grande do Sul, tomando chimarrão desde criança, não conhecia a lenda da erva-mate. Mais uma do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay.

Os trabalhadores da erva-mate, que no Paraguai são conhecidos como “mineros”, acreditam na lenda de Ka’a Iary ou Ca’a Iary. Ela diz que, se você deixar um bilhete para o espírito de Ka’a Iary entre as folhas da árvore de erva-marte e aparecer nesse local à noite, você encontrará com ele. Porém, o espírito não aparece assim tão facilmente, primeiro há um teste. Você deve encarar o ataque de uma onça e de outros animais selvagens, sem se assustar. Se correr, será morto. Se permanecer de sangue frio, sem medo, os animais não se importarão com você, então, o espírito aparecerá e lhe proporá um trato.

Na versão que li, se tratava de um espírito feminino, então, ele exigirá fidelidade de você, que não poderá ficar nunca mais com outra mulher. Nessa versão, não explicava se uma mulher poderia invocar o espírito, não sei como isso ficaria.

Se cumprir essa simples exigência, o espírito o ajudará para sempre, colhendo as folhas da erva-mate por você, fazendo peso na balança para que ganhe mais, enfim. Se você for um trabalhador da erva-mate, só há vantagens em se fazer o trato com o espírito de Ka’a Iary,

A lenda do Ñanduti – O bordado paraguaio.

Por Rafael.

ñanduti

Outra lenda do livro Leyendas y creencias populares del Paraguay é a lenda do Ñanduti. Assim como a lenda do Karãu, é mais uma história que envolve uma mãe e um jovem apaixonado.

Resumindo. Ñandu Guasu, um jovem indígena, andava deprimido pelo amor não correspondido de outra jovem, chamada Sapuru. Ele sabia que se lhe desse um presente bonito o bastante, conquistaria o amor dela. Então, Ñandu Guasu, encontrou, pendurado em uma árvore, um lindo tecido tramado, que brilhava à luz do sol. Pensou que aquele seria um belo presente para Sapuru.

No entanto, ao agarrar o tecido, ele se desfez no ar. O jovem voltou para casa chorando, então sua mãe, querendo ajudar o filho, pediu para que a levasse para o lugar onde ele tinha visto o tecido. E lá estava ele novamente, com um novo tramado, lindo.

A mãe de Ñandu Guasu, uma velha senhora, pegou cada fio de seu cabelo grisalho e trançou um tecido tão bonito quanto aquele que ali estava e deu para o filho. Este, contente, levou o presente para Sapuru e se casou com ela.

Daí surgiu a tradição paraguaia de elaborar bonitos e complexos rendados, conhecidos como Ñanduti.