A Lenda da Mandioca

Por Rafael.

lenda da mandioca

Já relatamos aqui mais de um mito paraguaio que se origina de um amor frustrado. A lenda da mandioca é outro desses.

Ela começa com uma garota chamada Mandi, integrante de uma tribo bem diferente. A tribo das Marahyva, onde só havia mulheres. Homens eram proibidos de viver entre elas. O problema é que Mandi era visitada em seus sonhos, todas as noites, por um jovem rapaz, muito bonito. A garota estava apaixonada por ele, seu nome era Mborotúva, e não existia apenas em sonhos, ele existia de verdade e também sonhava com Mandi.

Uma vez por ano, as Marahyva abrem as portas do Pindorama, a cidade onde moram, e as serpentes guardiãs permitem a entrada de jovens da tribo dos Guakara. É a noite anual de celebração, quando mulheres Marahyva e guerreiros Guakara fazem uma grande festa, dançam, bebem e fazem amor. As crianças geradas nessa noite festiva serão as novas habitantes de Pindorama. Se nascem meninos, são entregues ao pai ou simplesmente mortas.

É numa dessas noites, que os dois jovens da nossa história deixam de se encontrar apenas em sonhos. Lá estão eles, na porta do Pindorama, enquanto todos celebram. Mborotúva propõe que os dois aproveitem o momento para fugir e viver seu amor livremente, longe dali. Mandi sabe que isso será impossível, as serpentes nunca os deixarão passar.

Com medo e sem esperança, Mandi volta para sua casa e nunca mais volta a ver Mborotúva. A tristeza toma conta de sua alma e ela passa os dias se lamentando por não viver com seu amor. Pouco depois, a garota morre, definhando tragicamente em sua rede de dormir.

No local em que Mandi é enterrada, nasce uma planta desconhecida, com raízes que são como frutos. As Marahyva chamam a planta de Mandi’oga (oga= casa, ou seja, casa de Mandi).

Quando as Marahyva desaparecem, os guarani herdam essa planta que é um alimento muito importante.

 

 

3 comentários sobre “A Lenda da Mandioca

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