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M’Boiguaçu – A Lenda da Cobra Grande

Por Rafael

Nos dias 4 e 5 de agosto,  participamos da Comic Con RS, que aconteceu em um prédio da ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) em Canoas/RS. Foi uma grande experiência. Pois, ainda que não tenhamos obtido grande resultado em vendas, pudemos encontrar mais artistas independentes como nós, que passam pelos mesmos problemas e alimentam a mesma vontade de produzir histórias e, quem sabe, até viver disso.

Pessoalmente, vinha acompanhando o trabalho de um artista da cidade de Santo Ângelo/RS e, felizmente, pude encontrá-lo no evento. Aqui, no blog, já havíamos comentado um trabalho dele. Me refiro ao quadrinista Clayton Cardoso, que, em 2016, publicou Sepé Tiaraju – A Saga de um Herói. Agora, em 2018, Clayton levou para a Comic Con RS a história em quadrinhos M’Boiguaçu – A Lenda da Cobra Grande. Mais uma vez, o quadrinista bebe da História e Cultura da sua região, as Missões, para criar uma obra.

M’Boiguaçu é uma lenda da cultura guarani missioneira, pois sua história se passa nas ruínas da missão de São MIguel, pouco depois da guerra guaranítica. O trabalho de pesquisa e imaginação de Clayton se faz notar em diversas cenas, em que vemos o que restou da Igreja de São Miguel tomada pela vegetação, vista de diferentes ângulos. Transportar o leitor para a realidade da história, através dos cenários, não é coisa muito simples, mas o artista dá conta da tarefa. A arte de Clayton é orgânica, cheia de detalhes e texturas e a revista possui um acabamento muito bonito.

Entre em contato com o autor pelo email claydesenhos@hotmail.com  ou ( cel: (55) 9924-4066 (vivo) ou 84141276 (oi). Apoie o quadrinho feito por alguém como você! Até a próxima!    

m'boiguaçu em quadrinhos

Página interna

Capa de M'Boiguaçu

Capa de M’Boiguaçu

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Preview

Página de história em quadrinhos

A terceira história de YVY começa a ganhar forma. Liberando esboço de uma das páginas. Já dá pra ver Eva e Odara juntas, o que estarão fazendo as duas?

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Ilustração

Enquanto o terceiro episódio não vai ao ar, compartilhamos contigo uma ilustração da Eva, Odara e a Espada de Iansã. Essa é do Rafael, nanquim e aquarela líquida.Ilustração

 

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A Missão: a história por trás da história

capa dvd a missãoA série YVY tem como cenário as missões jesuítico-guarani do século XVIII na América do Sul. Por esse motivo, uma das primeiras referências visuais a ser consultada foi o filme A Missão, de 1986, do diretor Roland Joffé. A obra não serviu como fonte histórica, propriamente dita, ela não é um documental. É mais uma dramatização para representar dramas vividos na época das missões, com locais e personagens fictícios. Porém, o trabalho de produção desenvolvido para levar às telas, de maneira convincente, o espírito da época, foi, no mínimo, extraordinário. Muitos conhecem a história do filme, por isso, gostaria neste artigo, de me concentrar em algo que foi tão impressionante quanto ele, o seu making off.

Existe uma edição especial em DVD desse filme, distribuída pela Versátil Home Vídeo, que vem com um disco extra, nele encontramos este making off  com uma história tão incrível sobre os bastidores da gravação de A Missão que poderia se transformar em mais uma obra.

Roland Joffé, o diretor, sabia que a alma de seu filme seria o povo guarani, que povoava as reduções jesuíticas daquele tempo. Ele não queria, simplesmente, contratar figurantes, pois acreditava que, assim, não faria um filme convincente. Primeiramente, foi feito contato com comunidades guarani na Argentina, mas a impressão que o diretor teve desse encontro não foi das melhores. Eram populações pequenas e espalhadas por diferentes pontos do país, segundo Roland, não demonstravam a altivez e o espírito guerreiro necessário para a realização do filme. Pareciam mais um povo derrotado.

Após algumas viagens e investigações os produtores de A Missão encontraram o que precisavam para levar para a tela do cinema a energia e força do povo guarani missioneiro. Na região do Cauca, no sudoeste da Colômbia, vivendo às margens do rio San Juan, acharam uma comunidade wanana, esta caiu como uma luva para a representação do papel, pois ainda era um povo numeroso e coeso socialmente, fortemente agarrado a sua cultura e, ao mesmo tempo, se relacionando razoavelmente bem – não sem conflitos – , com a sociedade branca. Ou seja, conheciam espanhol, lidavam com tecnologias modernas, etc.  Agora viria a parte difícil. O que aconteceu após este encontro, foi quase uma epopeia.

Quase 600 pessoas, toda a comunidade, foi deslocada de suas moradias para se instalarem, temporariamente, nos locais de filmagem. Foram construídas moradias improvisadas, além de escola e locais de lazer, saúde e refeições. tratava-se de uma mega estrutura. Os wanana se entregaram de corpo e alma ao papel. Sentiam em sua própria carne o que o povo guarani sentiu há mais de 200 anos. No vídeo é possível acompanhar o depoimento de um dos líderes da comunidade e a história que conta sobre o seu povo é idêntica a de todos os povos originários da América. Perseguição, perda de territórios, perda de direitos, mortes, descaso… Os wanana, que possuem comunidades espalhadas na Colômbia e no Brasil, lutam para manter suas terras, sempre em iminente perigo de perdê-las para algum projeto de mineração ou energia.

Outro depoimento interessante é o do responsável pela preparação de atores. Ele conta que chegou a um determinado momento do trabalho de gravação, que os próprios wanana se dirigiam. Conversavam entre si sobre como poderiam conseguir o melhor resultado para alguma cena, ajudavam os atores estrangeiros com o idioma wanana (que no filme seria considerado guarani) e se tonaram, de fato, a alma do filme. Cujo resultado foi o melhor possível: Palma de ouro no Festival de Cannes,  César de melhor filme estrangeiro, dois Globos de Ouro, Oscar de melhor fotografia, entre outros (segundo o Google).

Apesar desse êxito, não foi sem conflito que a relação entre os wanana e a produção do filme se deu. Segundo os produtores, houve um mal-entendido quanto ao tempo de duração do contrato, que os wanana acreditavam ser mais curto do que realmente era.  O vídeo mostra as assembleias em que se reuniam a comunidade e a equipe do filme para discutir essa questão. Salvo algum engano, é possível dizer que as pessoas foram respeitadas e tiveram suas exigências atendidas.

O filme serviu para valorizar o povo wanana e apoiar sua luta por direitos? O diretor poderia ter insistido com as comunidades guarani para fazer o filme? Não saberia responder isso agora. Mas sei que é um filme muito usado para se debater a história das missões jesuíticas e o massacre sofrido pelo povo guarani. Não é um documentário histórico, mas é uma obra que soube, talvez, trazer o espírito da época para as telas.

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Odara e a Espada de Iansã.

OdaraOdara apareceu pela primeira vez na série em um flash back de Eva, no episódio 1, presenteando Eva com a poderosa Espada de Iansã. O que se sabe sobre essa personagem? Até agora, que é de origem yorubá, pela referência à orixá Iansã, e que ela esteve no Quilombo dos Palmares.

Após a formulação da personagem, baseando-me um pouco no filme Quilombo, de Cacá Diegues, e postado o primeiro episódio completo no site, descobri que a maioria dos moradores do Quilombo dos Palmares era de negros de origem bantu, não yorubá. A própria palavra quilombo seria de origem bantu. Fica aqui a referência ao engano histórico na série.

Odara aparecerá novamente? Aguardem.